21 de novembro de 2014

Entrevista - Banda: Pile of Corpses (SP)

Entrevista por: Renato Sanson


Sarcasmo, irreverência e Metal Extremo. Uma combinação explosiva e polemica, esse é o Pile of Corpses, que chega para incomodar e jogar tudo que há de mais podre na cara da sociedade, mas claro com um certo “humor”, que deixa os fãs mais fieis do estilo com certo “receio”.

Confira nossa entrevista com o baixista da banda Alexandre Chefe, que fala dessa polemica toda em volta do grupo, como de seu disco de estreia "For Sex, for violence, for alcohol", cena nacional e muito mais.

Confira agora mesmo:

Heavy And Hell: O POC soa bem polemico, “incomodando” até mesmo o fã mais cascudo. Como surgiu a idéia de soar instigante e sarcástico ao mesmo tempo?

R. Da forma mais natural possível. No começo da banda não tínhamos ainda a nossa personalidade sonora e lírica formada e daí compomos musicas brutais e até de crítica social como muitas bandas de thrash e death fazem. Mas quem nos conhece sabe que somos caras que curtem beber e falar besteira então fazer música sobre algo diferente disso para nós seria forçar a barra, afinal tocamos porque gostamos de tocar, logo vamos falar do que gostamos e isso sempre envolve o que está ali no título deste último álbum.

HAH: Vocês lançaram recentemente "For Sex, for violence, for alcohol" sendo que o disco é dividido em duas partes, “Extreme Masturbation” e “Extreme Violence”, conte-nos mais sobre este conceito?

R. Chegamos a pensar em fazer um álbum apenas com músicas que envolviam o tema sexo. Mas pensamos melhor e achamos que seria besteira jogar as demais composições, que não tinham essa temática, fora dessa gravação... Daí veio à ideia de promover a divisão, até lembrando os tempos antigos de LP (lado A e lado B). Assim jogamos toda a putaria no começo e toda a brutalidade no final.

HAH: As letras de "For Sex, for violence, for alcohol" certamente é um dos pontos altos do álbum, um misto de sarcasmo e realidade social. Como funciona o modo de composição da banda?

R. Normalmente as letras partem de uma história real que ouvimos por aí e que damos uma brutalizada e polemizada (risos) como a história da Hymen Collector que foi baseada numa história de adolescente de um moleque que descabaçou uma garota e depois nunca mais ligou pra ela... A menina furiosa o chamou de “colecionador de himens”. Quando ouvimos essa história pensamos imediatamente em fazer algo com esse título dado ao sujeito (risos).

Recentemente o tema pornográfico tem nos inspirado mais – não sei por que já que não somos mais adolescentes que passam metade do dia no banheiro (risos) – e felizmente essa escolha tem gerado grande polêmica até de forma surpreendente, sinceramente achei que o público underground e de sons mais pesados não ligasse tanto para questões ligadas a sexo, mas não é o que temos percebido!

Leia nossa resenha AQUI
HAH: E referente a shows, como o público tem recebido o POC ao vivo?

R. Muito bem, felizmente nunca tivemos nenhum problema ao vivo, apesar do nosso perfil ser mais sarcástico e não aquele visual sério e tal. Nunca tivemos nenhum problema de receptividade por parte dos bangers, o que é muito bom, pois não gostaríamos e não mudaríamos nossa forma de ser para agradar alguém, isso não seria honesto da nossa parte e eu acredito que o underground não aceita poses e afins. Por isso mantemos nossa pegada tanto nas composições como ao vivo, queremos estar ali da forma que somos e não querendo ser algo diferente.

HAH: Uma curiosidade, qual a origem do nome Piles of Corpses?

R. O nome foi criado quando eu era moleque e ficava vendo filmes de guerra e sempre depois das batalhas ficavam aquelas pilhas de corpos apodrecendo... Na época achei que era uma imagem bastante brutal para o objetivo do som da banda.


HAH: O underground nacional tem revelado grandes bandas, desta nova safra quais vocês citariam como destaque?

R. Cara isso é foda, pois vou acabar esquecendo varias, mas vamos lá: Das mais clássicas posso citar Oligarquia, Vulcano, MDK, Morfolk e Chaoslace. Das que conheci mais recentemente citaria valores como o Tumbero de Cambuí, Hellmotz de Campo Grande, Imminent Attack, Warsickness, Chaos Synopsis dentre outras excelentes bandas. Felizmente temos bons talentos no underground hoje em dia, só falta esse povinho do cover parar de babar ovo pra cópia que conhecerá grandes valores dentro de casa!

HAH: A sonoridade do POC transita entre o Death e o Grindcore, com algumas pitadas de Thrash. Três estilos distintos, mas de extrema violência sonora. Isto foi proposital ou aconteceu acidentalmente?

R. Totalmente proposital. Vem muito das bandas que nos influencia também, mas a ideia principal quando compomos um som novo é que ela dê vontade de você abrir uma roda, quebrar tudo, tem que ser violenta e esses três estilos, principalmente quando misturados, dão essa pegada. No início chegamos a usar algumas coisas de Black Metal, mas no final não encaixava muito com o que queremos.


HAH: Para 2015 o que podemos esperar de vocês?

R. Queremos continuar na estrada, ir para cidades no Brasil que ainda não tocamos como as regiões sul e norte, nordeste, reforçar ainda mais a divulgação do POC. Também estamos com contatos para alguns países vizinhos, mas o foco de 2015 é total em shows. Temos ainda a ideia de fazer um vídeo clip, mas estamos avaliando a viabilidade quanto ao custo...

HAH: E para finalizar gostaria que falassem das influencias da banda e o que acham do assunto “bandas que pagam para tocar”.

R. Gostamos e ouvimos varias bandas, estávamos há alguns dias atrás indo tocar em Santos com o grande Vulcano e colocamos o som do carro do batera no Random... Foi de Mayhem a Alice in Chains (risos). Mas se formos citar não o que ouvimos, mas os sons que usamos como influência real pra compor ai não irá fugir muito dos grandes nomes do thrash e death metal como Cannibal, Deicide, Slayer, Kreator, etc...

Quanto a “bandas que pagam para tocar”, esse assunto é bem comentando no underground, né? Eu curtia quando era só um moleque ingênuo começando a ouvir metal e achava que a banda que tava lá abrindo pra gringa fodona estava lá por merecimento, por ter um som legal, se empenhar e etc... Pagar pra tocar é uma grande merda, a banda acaba aceitando por ser uma forma de mostrar o som pra grande massa que só vai ver os gringos, mas essa maioria que vai nos shows dos gringos não vai em underground e dessa forma acredito ser um investimento que não vale a pena. Prefiro investir essa grana numa melhor divulgação, gravação e afins. Existe também aquela modalidade de pagar indiretamente, vendendo ingressos, que acho ainda mais irreal... Se for pra vender ingressos viro organizador de evento e não músico (risos).


Conheça mais a banda:





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