4 de novembro de 2012

Entrevista - Luiz Syren: A Locomotiva do Metal Nacional

Syren uma das vozes mais marcantes do Metal nacional

O Undeground é marcado por guerreiros, aqueles que não desistem perante as dificuldades que são muitas, e mesmo assim por amor ao estilo mais verdadeiro da música continuam na batalha. Entre esses, impossível não citar os esforços de Luiz Syren, a tempos marcado na história do Metal nacional seja com Atlântida (Prog Metal), e agora na sua mais recente empreitada a banda Syren, onde chega a impressionar o vigor e a agressividade que emana do álbum de estréia, com o sintomático titulo de "Heavy Metal".

Sobre esse trabalho, sua formação musical, opiniões sobre a cena e detalhes sobre o segundo álbum, Syren conta com exclusividade ao Heavy And Hell.

Com vocês Luiz Syren:

HAH: Como surgiu a ideia de formar o Syren? E como foi o processo de seleção dos músicos? 

LS: A Atlantida tinha parado as atividades, estava sem banda e sem esperanças para cantar Metal novamente, tempos bem complicados, mudanças radicais de vida e etc... A ideia de formar uma banda novamente foi como um desafio, algo que eu precisava fazer por mim, todas as bandas que eu participei já eram formadas e tinham suas linhas de pensamento e de atitude. Liguei para o Alex Macedo (Atlantida- Guitar) e falei se tinha algo em casa, algum instrumental ou se poderia fazer algo bem Metal, para eu gravar umas melodias, mas sem compromisso, apenas para saber se ainda tinha o jeito para a coisa (afinal até aquele momento nunca tinha cantado ou gravado em uma banda exclusivamente de Metal), ele simplesmente me mandou 3 instrumentais fenomenais que viraram a demo da Syren - "Stay Alive", "The End e Winter's Days", a aceitação foi tão grande que resolvemos formar uma banda, o Bruno surgiu um dia para ensaiar com o Imago e eu estava gravando as linhas de voz no mesmo estúdio (HR), ele e o Pombo chegaram e já começaram a pilotar os botões da gravação, e pronto estavam dentro, e o Flávio Pascarillo é meu irmão de longa data, chama-lo foi algo muito natural. A nova formação foi total através de vibe mesmo, tanto que hoje somos um quarteto, pois não encontramos um maluco na mesma vibe...


HAH: O Syren é tipicamente uma banda de Heavy Metal puro, o que levou a banda a adotar essa proposta, e para vocês o Heavy Tradicional ainda é forte no undeground?

LS: Bem, a falta de bandas com essa proposta aqui no Brasil nos fez criar um som que faltava para nossos ouvidos, se contar a época das demos do álbum não existiam muitas bandas tipicamente de Heavy Metal, e as que existiam eram mais voltadas para os anos 80 ou  modernas demais, queríamos algo que fosse old school com uma roupagem nova. Se você comparar o número de bandas de outros estilos como Death, Black, Gótico, vai notar que no Heavy Metal assim como no Thrash, não existem tantas bandas na atividade hoje em dia, mas as que estão na ativa fazem bastante barulho e chamam bastante a atenção, como falo são poucas que valem por muitas...


HAH: Como esta sendo a "Heavy Metal Tour", sabemos  que ela teve datas na America do Sul. Conte-nos mais detalhes e por quais países ela  passou? E existem planos de repetir a viagem?

LS: A tour foi ótima, passamos por 3 países em 40 dias, a receptividade foi maravilhosa, muito além do que poderíamos imaginar. Existem planos para a segunda parte da tour em Janeiro, logo teremos as confirmações de datas e locais.



Luiz Syren retorna a cena e mostra uma banda competente e afiada

HAH: Falando um pouco do álbum de estreia do Syren o "Heavy Metal", existem passagens mais guturais e rasgadas nas músicas, e você canta muitas vezes em tons mais agressivos, seria isso uma resposta aos críticos que insistem a te comparar com Bruce Dickinson? E até que ponto esse comparativo te incomoda?

LS: Todas as linhas de voz foram gravadas por mim, apenas o começo com efeito da "Keep Walking" é a voz do Alex Macedo (Guitar). Eu vou ter que conviver com essa comparação para sempre, a menos que vá cantar Death Metal... Hahaha. O modo agressivo foi herdado das fantásticas bandas de Thrash dos anos 80, algo que muitos não acreditam, mas minhas primeiras influências foram Tom Araya (Slayer) e Blackie Lawless (WASP). Essa comparação não me incomoda mais, o importante é o que eu leio nas publicações e escuto nas conversas com os amigos/fãs, que não sou um clone forçado ou algo parecido, isso realmente iria me deixar muito mal, pois como podem ver sempre tento impor algo diferente nas interpretações.


HAH: O fato de trabalhar com músicos que vem de uma escola do Black Metal influenciou na sonoridade do álbum? E você particularmente curte o estilo, pergunto isso porque a cena do RJ é efervescente se tratando do Metal negro.

LS: A formação que gravou o CD foi outra, Alex Macedo (Guitar, gravação e produção), Bruno Coe (Baixo), B. Drummont (Batera), a formação q você vê no encarte foi montada para tour, mas temos uma composição com essa formação que vai estar no novo álbum, e já circula a foto com a mais nova formação, e já está em estúdio compondo e gravando o novo álbum. Gosto de Black Metal, era fã de Sárcofago, Venom, Bathory , ainda curto bandas que tenham esse  feeling.



Syren apresenta a nova formação da banda

HAH: Poderia nos comentar como foi um pouco do processo de criação das músicas do álbum "Heavy Metal", elas nasceram todas assim pesadas ou foram ganhando forma? E teve algumas que ficaram de fora para trabalhos futuro?

LS: Alex Macedo (Guitar) fez metade das músicas e Bruno Coe (Baixo) a outra metade, eles me mandaram os instrumentais e eu improviso melodias em cima desses instrumentais, canto qualquer coisa que vem a cabeça, palavras sem significados, mas sempre com uma temática em mente e gravo tudo, depois vou escrevendo a letra em cima da fonética, assim como o Bruno escreve algumas letras também, dessa maneira em cima dos meus improvisos de letra e melodia. Temos umas 3 músicas que iríamos coloca-las como bônus em alguma edição, ainda não sabemos o destinos delas.


HAH: Gostaria de comentar um pouco da gravação, porque o CD traz uma sonoridade de ao vivo mesmo, de tão pegado que é o material, como vocês chegaram nesse resultado?

LS: Eu queria uma sonoridade diferente dos sons “processados“ de hoje em dia, foi proposital essa pegada "ao vivo" na gravação, e Alex Macedo conseguiu perfeitamente atingir esse objetivo. Trabalhar com ele é uma enorme satisfação, por que com poucas palavras ele consegue captar o que você procura para o seu som, fora o equipo de primeiro mundo que lá existe, espero trabalhar o próximo álbum com essa figura ímpar.


Syren, Thoten e Angra no Gods Of Metal na Itália


HAH: Quem foi o artista responsável pela capa de "Heavy Metal", acredito que ela transpareceu bem o espírito do álbum não é mesmo?

LS: A capa foi produzida por Guilherme Sevens (https://www.facebook.com/guilherme.sevens) e o encarte produzido por Antônio Cesar (https://www.facebook.com/antoniocesardesigner), esses dois artistas superaram a ideia que transmiti a respeito da locomotiva, fogo e Metal, não devem nada a nenhum artista gringo, ficamos muito satisfeitos com o resultado final.


HAH: Bem Syren, todos aqui no Heavy And Hell somos profundos admiradores do seu trabalho, e tudo que você fez pela nossa cena Metal, poderia nos comentar um pouco acerca dos projetos em que você participou?

Dreadnox –  O Fábio estava deixando a banda e  me chamaram para o posto, fizemos alguns ensaios, e eles estavam preparando o novo trabalho, mas a coisa toda foi parando por causa das agendas e trabalho dos integrantes, mas foi ótimo trabalhar ao lado dessa cambada.

Dust From Misery – A saída do Alex Vorhees fez com que a vaga de vocalista da banda abrisse para testes, eu e o Bebeto Daroz fomos aprovados e a vaga ficou para o Bebeto, depois de um tempo eles me chamaram para assumir o cargo (não me perguntem o porque), vários momentos engraçados e ótimos shows, o material novo estava vindo matador também, mas as agendas dos componentes atrapalhou o caminho.

 Thoten – Fui substituir o Renato Tribuzy no show do Gods of Metal da Itália, e acabei sendo efetivado para o cargo, porque o mesmo estava já no processo de gestação do "Execution", não foi fácil cantar na altura das músicas compostas na fase Tribuzy, mas consegui impor a minha marca, mas infelizmente eles queriam exclusividade, e eu tinha acabado de gravar o álbum da Atlantida e não foi possível permanecer.

Nordhein – Tenho um carinho especial pelo Nord, era a banda que tinha tudo para alavancar, mas infelizmente não foram muito longe, apesar de serem profissionais além da média das bandas e ter empresário e tudo, mais a comunicação era meio confusa em algumas vezes na minha visão, mas até hoje escuto o primeiro álbum que acho magnífico, uma obra prima do Metal nacional e porque não internacional também.

Invasores – Como vocês descobriram os Invasores??? Falar dessa banda me traz boas e agora tristes lembranças (Alexandre França guitarrista morreu junto a mulher e o filho, e mais de dez membros da família na avalanche de Petrópolis). O som era um Rock pesado em português com letras engraçadas, e usávamos uniformes e máscaras parecidos com o Slipknot, lembro do show que fizemos, quase morri sufocado com a minha máscara,  era tipo o Gorpo do He Man, tinha um pano negro cobrindo todo meu rosto... Hahhahaha.

3LP – Outra grande banda em português, era a banda suporte do Celso Blues Boy, era Rock pesado quase um Stoner, comparavam com a Pitty, acho que isso derrubou um pouco, pois ela estava crescendo naquela época e as aberturas para vôos mais altos nesses períodos ficaram bem “restritas”.

Highway Trio – Vocês estão pegando pesado... Haahhahaha. Era um duo de violão (Wagner Mor – Seita e Jorge Kreimer) e eu na voz e percussão, era um lance tipo Emerson Nogueira, mas muito, muito antes dele, o repertório era de Rocks anos 70 e 80 no formato acústico, o consumo de whiskey nessa fase foi forte, ótimas lembranças...

The Trooper – A Trooper nasceu do desespero de quase um ano e meio trabalhando com a Atlantida nas composições no estúdio, e na casa do Alex , telefonei desesperado pro Fabrício e falei que precisava voltar a tocar ao vivo... Hahhaha. Tenho orgulho de ter feito essa banda e trabalhado com essas figuras, quando li uma declaração do Ozzy a respeito de não lembrar de uma fase ou uns anos da vida dele, eu entendi perfeitamente isso... Hahahahha. Uma das fases mais loucas que tive em uma banda, nós quebrávamos tudo ao redor, birita forte, noitadas até onde lembro foram momentos épicos... Hahhahaha.

Atlantida – Uma palavra – EVOLUÇÃO, tive que aprender sobre minha voz, transpor limites que eu nem imaginaria um dia passar, sobre harmonias complexas, tempos estranhos e etc... Devo muito a esses caras toda a paciência e os momentos inesquecíveis, tudo virou uma amizade muito grande até hoje, amo o álbum que fizemos juntos, pena que o som da bateria mata um pouco a obra, mas, fiquei sabendo que o Alex iria remixar tudo, torço muito para isso, pois acho que ele não foi muito reconhecido por esse problema da batera, queria também regravar as vozes, sei que iria tirar o clima da época, mas tem lances que podem soar muito melhores hoje.



Capa do 1° álbum da Atlantida

HAH: O nome Syren pode soar como um projeto solo, mas é bem evidente que vocês são uma banda. Como rola essa relação entre os músicos e qual a formação atual da Syren?

LS: A Syren sempre foi uma banda nunca um projeto, o nome foi por um lance de se a banda tiver o sobrenome parecido com o meu, não teria como eu sair, poderia terminar, mas nunca sair, acredito que isso deu confiança aos músicos que tocaram comigo em todas as formações, sempre tentei mudar o nome, mas ninguém principalmente o Bruno Coe que esta comigo desde o início nunca aceitaram, e agora com tantos anos já pegou.


"Heavy Metal" a locomotiva do Metal nacional, confira resenha aqui.

HAH: Sendo um cara tão ativo na cena, como você vê a cena do Metal nacional, acha que estamos em retrocessos ou avanços?

LS: Estamos sempre em evolução, pode ser mais lenta, mas sempre em evolução, hoje tem muito mais qualidade as bandas e equipamentos, temos infinidades de eventos voltados para o Metal, somos caminhos prioritários as grandes bandas de Metal, mas por outro lado a coisa fica um pouco fria demais, o romantismo tão evidente no nosso estilo fica um pouco de lado, é tanta info que fica difícil de acompanhar ou assimilar tudo, tantos eventos que divide o público, tantos lançamentos que não se tem grana para ter tudo e por ai vai...

HAH: Sabemos que a banda ainda colhe os frutos do excelente álbum de estréia, por isso é cedo para falar em um novo lançamento, mas existe alguma novidade que poderia adiantar para os leitores do Heavy And Hell?

LS: Bem, estamos compondo material novo, temos umas 5 músicas já, e logo vamos soltar um single para vocês sentirem a força dessa nova formação, e logo em seguida o novo álbum.

HAH: Syren obrigado por tudo, continue sempre espalhando o Metal verdadeiro por ai, gostaria de deixar algum recado para os leitores do Heavy And Hell?

LS: Queria agradecer o apoio do Heavy And Hell a cena Metal brasileira, aos amigos/fãs que nos apoiam, e se preparem, pois o material novo é mais pesado que o material do "Heavy Metal", então peguem suas biritas e curtam no talo esse novo trabalho.


Entrevista por: Luiz Harley
Intro: Luiz Harley
Revisão & Edição: Renato Sanson
Fotos: Divulgação


Acesse e conheça mais sobre a banda Syren:

Facebook
Reverbnation

1 comentários:

Gosto dessas entrevistas..qdo penso q sei tudo sempre aparece algo novo uma menção a Luiz Harley.. q direcionou muito bem as perguntas.sobre..passado..pra que possamos nos encontrar no presente..sempre atentos aos movimentos da Banda..minha preferida diga-se de passagem!!Parabéns!!á todos envolvidos!!

Postar um comentário

Share

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More