14 de fevereiro de 2018

Resenha - Banda: Doctor Jimmy - EP: Cotidiano (2018)

Resenha por: Renato Sanson


Nós da Heavy And Hell tivemos mais uma vez o prazer de resenhar um disco antes do lançamento oficial (lançamento previsto para 19/02), e desta vez nos chega em mãos o EP dos catarinenses do Doctor Jimmy, sob o nome de “Cotidiano”.

A sonoridade apresentada é um mix entre o Rock Nacional oitentista de nomes como: Os Cascaveletes e Barão Vermelho (fase Frejat nos vocais) com o Hardcore mais melódico do CPM 22 e Deadfish, tudo muito bem encaixado graças a uma produção coesa e vivida, com ótimo equilíbrio entre melodias e certos momentos mais pesados.

O senso melódico do EP é bem elaborado, assim como a simplicidade que permeiam as composições e deixam as mesmas de fácil assimilação como em: “Você fala demais” (uma bela crítica aos que realmente só falam e nada fazem para mudar ou sair da mesmice) refrão pegajoso e boas linhas de guitarra com uma cozinha bem compassada e firme e “Homens fardados” (falando da impunidade que assola todos nós, sendo muitas dessas injustiças vindas dos ditos “homens de farda”) que conta com a participação de Daniel Russo (A Hora Hard) com guitarras mais diretas e bons solos, sendo que basta poucas audições para sair cantarolando seus versos.

O EP ainda apresenta outros dois destaques a bela balada “Nunca terá fim” com seus ótimos teclados e a que considero o “hit” do trabalho: “Ela sabe das coisas” (contando sobre uma paixão noturna, onde você tem e ao mesmo tempo não tem a pessoa desejada) que conta com a participação de Naldo Arraes (Cherry Ramona) em um ótimo dueto trazendo a veia Hardcore melódico mais à tona.

As composições em si são simples, mas bem estruturadas apesar de fazerem o “feijão com arroz”, porém no que se propõem instrumentalmente dão conta do recado e deixam poucas arestas para serem aparadas.

Mas o ponto que quero chegar são as linhas vocais, que ao meu ver deixaram a desejar, não comprometem o trabalho como um todo, já que bons momentos são perceptíveis, porém poderia ter um pouco mais de imponência e até mesmo soar mais “agressivo”, claro, dentro de sua proposta, não tão “suave” como podemos escutar no EP, para ter maior personalidade e deixar sua marca latente.

Outro ponto que poderia ser revisto é a faixa em inglês “Dont understand”, que não acrescenta em muita coisa ficando bem abaixo das demais em língua pátria.

No mais temos um bom lançamento e uma banda que pode evoluir e chegar longe, já que capacidade mostraram que tem de sobra.

Links de acesso:

Tracklist:
01) Não Tenho Pressa
02) Homens Fardados (Russo)
03) Ela Sabe das Coisas (Naldo Arraes)
04) Você fala demais
05) Nunca Terá Fim
06) Dont Understand

Formação:
Djonatan Bento - vocal
Vito Ventura - guitarra
Endryll Hipolito - teclado
Ronaldo Martins - baixo
Maykon Kjellin - bateria



4 de fevereiro de 2018

Resenha - Banda: Dark Avenger - Álbum: The Beloved Bones: Hell (2017)

Resenha por: Renato Sanson


Foi difícil encontrar o tempo certo para poder redigir essa resenha, já que não se trata apenas de mais uma crítica, mas sim de um grande lançamento onde o seu mentor – o vocalista Mario Linhares – começava a colher os frutos dessa árdua luta no meio musical.

Infelizmente Mario nos deixou (para quem não sabe do ocorrido ou não apurou o que aconteceu com o vocalista acesse: http://bit.ly/2BVycUp), porém sua obra ficou, e jamais será esquecida, tanto no Brasil como fora dele.

Pois bem, em 2017 nascia “The Beloved Bones: Hell”, 4° álbum de estúdio dos brasilienses do Dark Avenger, e o que temos musicalmente é tão grandioso que chega a ser complicado expressar com meras palavras.

Em um tom diferente, mas ainda Dark Avenger, pois a veia progressiva impera, mas não descaracteriza sua essência e traz novos elementos a sua sonoridade, assim como um lado mais obscuro e muito bem explorado, já que o tema lírico do trabalho é conceitual, em volta do embate entre questões emocionais e racionais da mente humana, onde muitas vezes temos que tomar decisões difíceis emocionalmente, mas corretas puxadas para o lado racional em uma narrativa emotiva e temperamental.

Os elementos progressivos casam com essa proposta mais sombria, e fazem das 11 faixas um complemento mais que sinérgico, já que uma completa a outra e traz seus temperamentos diferentes e aguçados, onde as quebras de tempo existem assim como as belas melodias e climas mais amenos e outros mais agressivos, tudo isso comandado pela bela voz de Linhares que estava mais que inspirado, em passagens muito bem construídas e mostrando toda sua versatilidade.

“The Beloved Bones: Hell” foi produzido pelo guitarrista Glauber Oliveira e teve a masterização feita pelo gênio Tony Lindgren (Angra, Dragonforce, Sepultura e etc) deixando uma sonoridade pesada, cristalina e orgânica, sem exceder a modernidade e não esquecendo os timbres gordurosos e dosados. A arte do francês Bernard Bitler enche os olhos assim como todo o trabalho, que veio embalado em um Digipack luxuoso, aquele tipo de material em que você tem prazer em manusear e ficar olhando cada detalhe, simplesmente fantástico.

Essa seria a primeira parte de uma sequencia que viria pela frente, infelizmente ficamos somente nesse início, mas que mostrou toda a genialidade desse que é um dos maiores vocalistas da história do Heavy Metal nacional, sua obra será eterna Mario, só temos a agradecer por ter nos brindado com trabalhos tão magníficos como este.


Links:


Formação:
Mario Linhares (vocal)
Glauber Oliveira (guitarra)
Hugo Santiago (guitarra)
Gustavo Magalhães (baixo)
Anderson Soares (bateria).

Tracklist:
01. The Beloved Bones
02. Smile Back to Me
03. King for a Moment
04. This Loathsome Carcass
05. Parasite
06. Breaking Up Again
07. Empowerment
08. Nihil Mind
09. Purple Letter
10. Sola Mors Liberat
11. When Shadow Falls (Bonus Track)

22 de janeiro de 2018

Resenha - Banda: H.E.A.T - Álbum: Into The Great Unknown (2017 - Shinigami Records)

Resenha por: Renato Sanson


Homogeneidade é algo importante para o desenrolar de um disco, até para poder prender o ouvinte, claro que surpresas são bem-vindas, mas quando vamos do céu ao inferno soa de uma forma um tanto desconexa.

Em seu quinto álbum os suecos do H.E.A.T trazem aquele seu Hard Rock característico e cativante, mas não tão alegre e pomposo como nos trabalhos anteriores, se tem maiores variações e melodias mais frias, porém o contraste de “Into The Great Unknown” é o “Calcanhar de Aquiles”, já que as composições não seguem um padrão.

Do Hard/AOR alegre de  “Bastard of Society” à a quase melancólica “Redefined” soa com certa estranheza, não que as composições em si não tenham qualidade, muito pelo contrário, mas os climas apresentados soam de uma forma não tão singular.

A produção de alto nível continua e os timbres bem postados, já que temos também o contraste de influencias eletrônicas ao decorrer do álbum assim como teclados bem salientes, mas tudo calculado e bem compassado.

Tirando o fato de não ser um álbum homogêneo, “Into The Great Unknown” mostra boas melodias, não tão alegres como de costume, mas que pegam o ouvinte desde a primeira ouvida, e as composições menos melodiosas e com um ar mais obscuro se sobressaem, seja por suas estruturas ou pelos seus momentos grudentos.

Um tanto diferente do que estão acostumados a criar, mas sair de sua zona de conforto é necessário e abrem novos caminhos com toda certeza.


Links:

Formação:
Erik Grönwall - Vocais
Sky Davids - Guitarras
Jona Tee - Teclados
Jimmy Jay - Baixo
Crash - Bateria, percussão

Tracklist:
1. Bastard of Society
2. Redefined
3. Shit City
4. Time on Our Side
5. Best of the Broken
6. Eye of the Storm
7. Blind Leads the Blind
8. We Rule
9. Do You Want It?
10. Into The Great Unknown

21 de janeiro de 2018

Resenha - Banda: Kadavar - Álbum: Rough Times (2017 - Shinigami Records/Nuclear Blast)

Resenha por: Renato Sanson


A onda setentista ou Occult Rock vêm dominando o mercado nos últimos anos, são muitos nomes de qualidade como: Blue Pills, Ghost BC, Lucifer, Orchid dentre outros. Desta leva temos os alemães do Kadavar que mostram o porquê de serem uma das bandas mais conceituadas neste estilo em “Rough Times”, seu 4° trabalho de estúdio.

Comparado aos trabalhos anteriores a formula se mantém, mas ainda mais consistente e com boas pitadas de Classic Rock, o que deixou as composições mais dinâmicas, já que as viagens setentistas estão todas ali, assim como um ar mais progressivo e melodioso.

O contraste entre os riffs simples e o baixo explosivo dão aquele ar “sabbathico” que caí muito bem a musicalidade, já que a produção também presa por esses timbres mais orgânicos e rústicos, o que deixa a sonoridade bem datada, mas combinando com sua proposta.

Se você é fã dessa “nova-velha” safra ouça sem medo, pois irá grudar em sua mente e dificilmente tirará “Rough Times” da cabeça. Mas se você não é chegado a essa nova onda de bandas do Occult Rock, não é o novo álbum do Kadavar que mudará sua opinião.

Links:

Tracklist:
01 Rough Times
02 Into the Wormhole
03 Skeleton Blues
04 Die Baby Die
05 Vampires
06 Tribulation Nation
07 Words of Evil
08 The Lost Chiva
09 You Found the best in Me
10 A l'ombre du temps
11 Helter Shelter (Beatles)

Formação:
Christoph "Lupus" Lindemann - Guitarra e vocal
Christoph "Tiger" Bartelt - Bateria
Simon "Dragon" Bouteloup - Baixo 

13 de janeiro de 2018

Resenha - Banda: Miss May I - Álbum: Shadows Inside (2017 - Shinigami Records/Nuclear Blast)

Resenha por: Renato Sanson


O sexto trabalho dos norte-americanos do Miss May I vem carregado de sentimento, obscuridade e com melodias frias, o que distancia a sua sonoridade daquele Metalcore manjado e previsível que a maioria das bandas do estilo praticam.

Claro que as intercalações entre os vocais agressivos e limpos estão ali, assim como os breakdowns, mas em uma medida aceitável e não enjoativa, já que ao ouvir o trabalho você nota que o mesmo não é previsível e até mesmo te surpreende em muitos aspectos.

As guitarras são o destaque assim como as melodias mais soturnas, que deixaram o álbum com uma estrutura madura e consistente.

A produção de alto nível que o estilo exige dispensa comentários assim como a bela parte gráfica.

O Miss May I não chega a inovar com “Shadows Inside”, mas dá um grande passo em sua carreira onde certamente muitas portas se abrirão.

Links:

Tracklist:
01 Shadows Inside
02 Under Fire
03 Never Let Me Stay
04 My Destruction
05 Casualties
06 Crawl
07 Swallow Your Teeth
08 Death Knows My Name
09 Lost In The Grey
10 My Sorrow

Formação:
Levi Benton - vocals/lyrics
Ryan Neff - bass/vocals
BJ Stead - guitar
Justin Aufdemkampe - guitar
Jerod Boyd - drums

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