6 de dezembro de 2012

Entrevista: Machinage - Desbravando O Underground



Com certeza o Machinage é uma das revelações do Metal nacional, com duas turnês internacionais pelos EUA, shows ao lado de grandes nomes do Metal nacional e internacional, a banda vem somando grandes conquistas. 

Atualmente a banda continua a divulgação de seu CD debut "It Makes Us Hate", onde continua recebendo muitos elogios da critica especializada, conversamos com o guitarrista e vocalista Fábio Delibo, que nos conta sobre o começo da banda, os planos para 2013 e algumas curiosidades... 

Com vocês Machinage, na pessoa de Fábio Delibo:


HAH: O Machinage está na ativa desde 2007, porém só em 2012 foram lançar seu 1° debut, e o que podemos ouvir, valeu a espera, pois a sonoridade do álbum é bem original, mostrando a identidade da banda. O que pode nos falar sobre este longo caminho até lançar o excelente "It Makes Us Hate"?

Fábio: Então, as músicas desse disco na verdade elas estavam prontas desde 2007, e a intenção era de ter esse disco gravado em 2008, chegamos a grava-lo, mas não estávamos conseguindo lançar por problemas financeiros para prensar, e com a demora a banda acabou mudando a formação e com ela as musicas foram tomando um corpo diferente e ficando melhores, logo depois nos apareceu a oportunidade de mixar e masterizar com o Tim Laud que já trabalhou com o Soulfly e o Cavalera Conspiracy, então decidimos regravar, ai era para ter saído em 2011 com um selo que nos prometeu lança-lo, mas no fim acabou nos prendendo por 1 ano com o CD parado, até que conseguimos lançar por outro selo agora em 2012, foi um caminho devido a esses problemas, mas acabou ficando da forma que queríamos que ficasse, valeu a pena a demora (risos)...

HAH: Lendo umas entrevistas antigas de vocês, teve uma declaração que me chamou muito a atenção, onde era dito "tocamos como musico, não como capacho". O que inspirou essa citação e na visão de vocês  vale a pena pagar para abrir shows de bandas gringas?

Fábio: Essa entrevista veio logo após o fiasco do MOA, e nós acabamos sendo envolvidos no inicio do MOA, onde teríamos que pagar pra tocar e isso acabou nos revoltando, infelizmente no Brasil pra poder tocar em show grande existem duas situações, ou você conhece alguém da organização, e assim você consegue entrar e tocar de graça pra conseguir mostrar a sua banda ou você paga, essa realidade é ridícula e infelizmente não tem mudado pra melhor e sim pra pior, porque tem banda que paga pra isso, sabemos de valores pagos que chegam a ser absurdos, valores que dava pra fazer uma tour internacional e realmente investir na banda, quando começamos a abrir pra bandas maiores tocamos de graça e nunca pagamos, no inicio da banda houve uma oportunidade de abrir para o Dismember, e aceitamos tocar no sistema de cota de ingresso, e o final dessa história é sempre igual, acabamos nos dando mal com isso e aprendemos que não vale a pena, depois disso sempre tocamos sem pagar, o triste disso tudo é que os promoters que nos colocaram em shows grandes e foi por conversa e acabaram nos aceitando, hoje tem cobrado também, porque é uma realidade, para o Machinage hoje não vale a pena mais, porque ta cheio de bandas que vão pagar pra ter essa oportunidade, é triste mas é real, ai nos perguntamos de quem é a culpa??? Acho que todos são culpados, eles cobram, as bandas pagam, um ciclo vicioso.

HAH: Após duas turnês americanas, o que agregou a banda estes shows? E como foi a recepção do público?

Fábio: Nós aprendemos muito tocando lá fora, a experiência é fantástica, a gente pega um entrosamento de palco que só acontece tocando bastante, e a tour serve demais pra isso, a recepção foi maravilhosa, fomos tratados como artistas, ninguém nos dava água de cache, fomos tratados como banda de verdade, e isso é fantástico!!!!



HAH: O Machinage já dividiu o palco com grandes nomes do Metal como: Overkill, Sepultura, Nuclear Assault, Dismember, Tim Owens, André Matos, Angra, Almah, Torture Squad e Korzus. Qual entretanto em alguns casos com públicos diferentes em relação a sonoridade, vocês já tiveram algum problema? E qual região do Brasil ainda falta ser mais explorada pela banda?

Fábio: Nunca tivemos problemas com o público, sempre tivemos uma boa recepção, a aceitação foi boa mesmo estando em shows com outra sonoridade, acho que uma vantagem do Machinage, baseado no que ouvimos da galera nos shows é o fato de ser Thrash e ao mesmo tempo Heavy, não chega a desagradar ao público que curte mais Heavy nem quem curte Thtash, nunca escrevemos as músicas pensando nisso, mas acabou que saindo dessa forma e isso nos tem ajudado bastante. O nordeste é uma região que nunca tocamos e gostaríamos muito de tocar, espero em breve tocar por lá.

HAH: Muitas bandas antes do 1° lançamento soltam na mídia um EP ou demo do material, até para ver como será a aceitação do público, porém vocês fizeram o caminho inverso, lançaram logo de cara o álbum. Como foi tomada esta decisão? E no caso, vocês não ficaram com algum receio do público não aceitar tão bem "It Makes Us Hate"?

Fábio: Então, como comentei antes, tínhamos o disco enrolado na mão desde 2007, e na primeira vez que gravamos, pensamos em soltar uns três sons para divulgação e ver o que acontecia, pelo fato da demora e da forma que o público vinha aceitando a banda nos shows, acabamos decidindo lançar o CD logo de cara, quanto ao receio de lançar o álbum, acho que foi no show com o Overkill que ficou claro que daria certo lança-lo, a resposta do público nesse show foi uma coisa incrível e dali pra frente ficou claro que iriamos para o álbum inteiro.

Capa do debut álbum "It Makes Us Hate" confira resenha aqui.

HAH: Recentemente a banda  fez sua segunda  turnê nos EUA, onde em alguns shows tocaram com John Connelly ( vocalista e guitarrista do NUCLEAR ASSAULT) clássicos como  "Critical Mass", conte-nos como foram essas experiências e como a banda trabalha em relação ao mercado internacional?

Fábio: Tocar com o Jonh foi uma coisa inacreditável, pra falar a verdade, toda vez que vejo o vídeo parece que a ficha ainda não caiu, pensar que passei a infância ouvindo o cara e sonhando em estar em um palco um dia, e do nada estou tocando com ele em NY, é inacreditável. O mercado internacional tem sido onde a banda está mais forte, estamos com muita coisa pra acontecer por lá em 2013, a última turnê foi muito interessante em questão de contatos maiores, pra 2013 gravaremos nosso segundo CD nos EUA e quem está produzindo é o Curran Murphy que já tocou com o Nevermore, existe uma longa tour sendo planejada e pelo jeito irá acontecer, então as coisas estão bem encaminhadas por lá.

HAH: Para divulgação do álbum vocês já lançaram dois vídeos clipe, para as musicas "Envy" e "Is This The Way?", na opinião de vocês, qual a importância dos clipes para carreira de uma banda.

Fábio: O clipe é muito importante, você acaba alcançando um público novo, muitas pessoas ao ver que é um clipe acaba indo checar pra ver qual é a da banda, isso é bom, tivemos um bom aumento de gente interessada pelo Machinage logo após o primeiro clipe, e no segundo podemos ver o feedback de uma forma grandiosa, o mercado visual é muito interessante e vale o investimento.

Fábio Delibo e a lenda John Connelly, pós show em NY

HAH: Machinage já esta na estrada um tempinho, então na opinião de vocês a nossa cena dos últimos cinco anos para cá vem melhorando ou piorando? E entre as bandas do undeground existe um espírito de união ou ainda existe velhas rivalidades?

Fábio: Vem melhorando sim, não vejo uma desgraça como alguns famosos tem dito, eu acho que o público precisa realmente dar um pouco mais de valor indo aos shows, estamos em um momento muito forte da internet com o Facebook e por ali fica fácil as pessoas fazerem mil e uma campanha, por que estão sentadas na frente do computador e ficam falando tudo que querem, pois se sentem seguras, mas na verdade acabam não indo aos shows e por em prática o que defendem atras de um teclado, mas de qualquer forma vejo que vem crescendo, o Facebook também acaba sendo uma ferramenta muito boa para mostrar o quão rico o Brasil é de bandas. Quanto ao underground eu fico meio dividido em te dar essa resposta, eu vejo assim, existe tudo para haver uma união, mas infelizmente no Metal as bandas levam o sucesso de um como a desgraça de outra, sendo isso poderia ser uma ferramenta de união e uma banda ir atrás da outra, andando juntas, todos se dão bem, mas eu tenho orgulho de dizer que existem umas bandas que são brothers nossas como o Imminet Attack, Woslom, Red Front entre outras, temos nos ajudado e as portas estão abertas para todas as bandas que quiserem andar junto, basta vir atras.

HAH: Falando um pouco da sonoridade do álbum, encontramos o bom e velho Thrash Metal, porém soando atual e moderno, como foi o processo de composição para o mesmo e quais as influências da banda para soar ao mesmo tempo old e moderna?

Fábio: (risos) O processo de composição começo muito antes da banda existir, eu sempre quis tocar com banda de som próprio, e a realidade do Brasil por muitas vezes leva a muitos bons músicos viverem de bandas covers, chegou um dia que eu cansei disso e resolvi expor minhas músicas, nunca as escrevi pensando no mercado, se deveria soar old school ou moderna, simplesmente saíram (risos), a "Next Victim" por exemplo eu a compus em 2000 se não me engano, e tem muitas outras que foram feitas nessa época, acho que o lance é ir escrevendo o que acha que ficou legal, e depois torcer para os outros gostarem, não tem uma fórmula (risos).



HAH: Conte-nos um pouco sobre o que as letras de "It Makes Us Hate" abordam e sobre o conceito da capa que é muito bela por sinal.

Fábio: As letras falam bastante sobre as coisas ruins das guerras e dos problemas políticos enfrentados no mundo, de uma forma geral aborda em cima desses tópicos. A capa foi feita pelo grande João Duarte e ficou fantástica, mandamos as letras pra ele e a primeira arte que ele nos mandou foi essa mesmo, nem precisamos pensar muito pra escolher (risos).

HAH: Para finalizar, gostaria que nos conta-se sobre os planos futuros da banda e deixasse uma mensagem aos leitores do Heavy And Hell.

Fábio: Tocamos dia 17/11 onde foi o último show do ano, e agora vamos sentar para trabalhar nas músicas do próximo álbum, temos uma longa tour em vista e se tudo der certo será nos EUA e Europa, esperamos poder tocar mais no Brasil também, e acredito que ainda lançaremos mais um clipe do “It Makes Us Hate”. Gostaria de agradecer a oportunidade de poder falar mais um pouco da banda, espero que a galera curta, e vou terminar com a frase que sempre falamos nos shows, “IN THRASH WE TRUST”!!!!!! ABRAÇOS!!!!


Conheça mais a banda:


Assessoria: Metal Media


Confira o clipe de "Envy"



Confira o clipe de "Is This The Way?"



Entrevista por: Renato Sanson / Luiz Harley
Intro: Renato Sanson
Edição & Revisão: Renato Sanson

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