29 de maio de 2013

Entrevista - Shadowside: Conquistando o Mundo

Entrevista por: Luiz Harley
Edição/revisão: Renato Sanson
Fotos: Divulgação


Desde a ultima vez que tive a chance de entrevista o Shadowside, muita coisa aconteceu na carreira desses paulistas. Se na época a empolgação era evidente  pelo lançamento  de "Inner Monster Out" (que é sem duvida um baita disco), o que temos agora é uma banda que com todos os méritos é uma realidade para o Metal nacional, nem o fã mais otimista poderia esperar turnês na Europa com monstros do Metal Melódico como Helloween  e Gamma Ray, e mais alguns prêmios conquistados.


Quais os segredos que a banda possui afinal? Leia a entrevista abaixo e tire suas conclusões, evidente que pé no chão carisma e principalmente humildade é sem duvida a chave para o sucesso.

Então hail Shadowside, conquistem o mundo, pois potencial tem de sobra, afinal estamos falando do Metal nacional o melhor do mundo.

Com vocês a vocalista Dani Nolden: 


HAH: Uma formação estável, seria esse o grande segredo do Shadowside? E o fato de ter uma frontwoman, muda muito a rotina e o convívio da banda?

Dani Nolden: Bem, como estou falando do ponto de vista da frontwoman, eu não posso dizer se muda alguma coisa, pois nunca tive a oportunidade de ver o convívio e rotina de bandas formadas exclusivamente por homens, obviamente (risos). Mas eu acredito que muito pouco acaba sendo diferente, pois estamos sempre focados no trabalho. Os rapazes se preocupam com o show e eu também. Sobre o segredo do Shadowside, eu diria que é provavelmente nossa paciência, persistência, dedicação, humildade de sempre buscarmos algo melhor do que fizemos no dia seguinte. Estamos com a formação estável desde 2007, justamente porque encontramos um objetivo em comum, todos nós estamos decididos a fazer algo interessante para nós mesmos e para os fãs, sempre fazendo tours longas e sempre nos divertindo com o que fazemos.

HAH: De promessa para nome confirmado na cena nacional, isso gera alguma pressão interna por parte de vocês, afinal de contas, o Metal nacional que muitos anunciam a morte está mais vivo do que nunca, não acham?

Dani: Claro que está vivo! O público continua se renovando, buscando saber sobre as bandas, comparecendo aos shows. Não há qualquer pressão interna entre nós e se há pressão de qualquer lado, nós não sentimos. Isso acontece porque antes de qualquer coisa, nós buscamos agradar a nós mesmos, pois não acreditamos que é possível convencer alguém de que um álbum é bom se nem os próprios membros da banda gostam de escutá-lo e executá-lo ao vivo, então sempre fazemos algo que curtimos e apresentamos isso aos fãs. É muito mais fácil agradar ao público dessa forma, pois sempre mostramos algo que realmente gostamos de fazer quando estamos em cima de um palco, e é mais simples encontrar pessoas que gostam do mesmo que nós dessa forma. 

HAH: É evidente que a banda foi moldando seu som e indo para uma direção mais pesada, mas hoje em dia, vocês voltariam a trabalhar com uma proposta de som na linha de "Theatre Of Shadows"? 

Dani: Provavelmente não, isso seria um retrocesso... Sempre vamos tocar algumas músicas do "Theatre of Shadows" e temos orgulho do que fizemos, mas não faria sentido tentar voltar no tempo, nem tentar forçar as composições em uma direção ou outra. Podemos fazer músicas mais ou menos melódicas, deixamos que o que escrevemos flua pra onde tiver que fluir, mas duvido muito que deixaremos o peso do "Inner Monster Out" de lado. Era isso que tentávamos atingir desde que começamos a banda, então buscamos a evolução agora a partir daí.


HAH: Quando entrevistei vocês para o site Road to Metal, questionei a vocalista Dani Nolden sobre o fato de ser uma vocalista de Metal no meio de tantas vocalistas líricas, e seu comentário foi esse:

"Para mim não é algo como apostar em uma formação assim. Eu sou o que sou, não posso mudar isso, seja isso bom ou ruim (risos). Quando eu comecei a cantar, não existiam bandas de Metal com vocais femininos, exceto a Doro, porém eu não a conhecia... Eu escutava inicialmente bandas como Guns n’ Roses, Skid Row e depois Judas Priest, Deep Purple, Iron Maiden e como eu gostava dessas coisas, eu tentava cantar como eles." Confira a entrevista completa para o Road to Metal aqui.

Hoje em dia na cena brasileira temos Nervosa , Hellarise, Pandora e etc... Bandas que enveredam para o Metal mais extremo com mulheres na sua formação, então você considera que o Shadowside foi uma das grandes responsáveis pela conquista merecida da mulher no Metal nacional?

Dani: Não sei dizer... Se fomos, fico muito feliz. De qualquer forma é legal ver mais meninas se interessando por Metal e não apenas como ouvintes, mas também como cantoras e instrumentistas. Se contribuímos de alguma forma, seja para o aparecimento das bandas ou para a abertura de novos espaços, isso é maravilhoso... Espero que nossas conquistas sirvam de exemplo para as meninas que estão começando agora, para que elas vejam que é possível fazer com que o sonho se torne realidade. 


HAH: "Theatre of Shadows" tem elementos do Metal Melódico, "Dare to Dream" mais Hard Rock e "Inner Monster Out" é pesado e até certos momentos apresenta um flerte para o Metal Industrial, nessa linha de raciocínio o que esperar de um novo trabalho da banda?

Dani: Bem, eu tenho que discordar do Metal Industrial, não consigo encontrar similaridades entre bandas de Metal Industrial e Shadowside, porém temos sim um som bem moderno hoje em dia. Moderno, pesado, mas acredito que o "Inner Monster Out" tem um pouco de cada um desses elementos que você citou nos álbuns anteriores... Por exemplo, continuamos com as melodias influenciadas por Hard Rock, e ainda temos algumas músicas rápidas que algumas pessoas podem associar ao Power Metal/Metal Melódico... Acho que somos uma mistura de vários subgêrenos sem que a coisa viaje demais pra todos os lados.

Provavelmente continuaremos com essa linha de pensamento, de unir tudo aquilo que gostamos e tentar encontrar um equilíbrio entre elas de forma que tudo soe coeso. Não temos medo de colocar riffs de Thrash Metal em uma mesma música que tem melodias bonitas, por exemplo. Se ficar legal, vamos em frente! Vocês só podem ter certeza de que tudo que lançarmos será pesado, nervoso e com muita energia!

HAH: Como é decidida a parte temática do Shadowside? Em varias musicas e notável um passeio por um leque de assuntos como a alienação do povo brasileiro ("Nation hollow MInd"), ou até a luta com nossos demônios internos ("Inner Monster Out") e conflitos com o passado como em "Memories".

Dani: Eu gosto bastante de escrever sobre temas “reais”. Não tenho muito talento para letras abstratas, então acabo escrevendo sobre experiências do dia a dia, não apenas do meu, mas de pessoas que eu conheço, do que leio nas notícias. Eu acho que o ser humano é tão complexo e interessante que dá pra escrever sobre nossos comportamentos, ideias, mentes e atitudes por álbuns e álbuns seguidos sem repetir temas... Então escrevo tudo que sinto, penso e vejo. Em alguns momentos, cheguei a me arrepender de algumas letras que escrevi, pois foram feitas em situações de raiva, que depois na hora de gravar eu não sentia mais, mas valeu a pena... É uma espécie de diário, reflete o que eu estava vivendo naquele exato instante.

Shadowside foi a primeira banda brasileira a tocar nos palcos da lendária L'Olympia em Paris

HAH: Com turnês na Europa e no Brasil, shows ao lado de W.A.S.P., Gamma Ray e Helloween, e abrindo shows do Iron Maiden, onde se encontra o público mais fiel do Shadowside? Vocês sentem essa diferença entre grandes cenas no nosso país para cidades do interior?

Dani: É difícil dizer, pois normalmente as pessoas são muito acolhedoras em todos os lugares por onde passamos. Nunca retornamos a alguma cidade ou país para ver que o público havia nos “abandonado”, por exemplo... Eles sempre estão nos seguindo. Tocamos uma vez na Bósnia-Herzegovina em 2009 e até hoje o público ainda pede por nós, nos cobra uma volta ao país. Acho que o fã de Shadowside em toda parte do mundo é muito caloroso e está sempre nos apoiando. Não sinto grandes diferenças entre as cenas, sempre fomos muito bem recebidos em todas as cidades. Por exemplo, somos recebidos incrivelmente bem no Rio de Janeiro, uma cidade grande, e somos acolhidos da mesma maneira em Paulo Afonso, cidade no norte da Bahia. Nunca fiz um show com o Shadowside e sai desapontada, sinceramente.

HAH: Lembro na época do lançamento do "Inner Monster Out" ele foi merecidamente eleito o álbum do ano por varias mídias, inclusive eu citei o mesmo na minha lista, mas agora com a estrada e com um certo tempo, existe algo naquele álbum que vocês mudariam? E para um futuro lançamento o nome de Fredrik Nordstron seria novamente cogitado?

Dani: Obrigada! Fredrik provavelmente trabalhará conosco no próximo álbum, gostamos muito de trabalhar com ele, nos damos bem com ele, tanto pessoalmente quanto profissionalmente então não há motivos para mudanças. Ele nos conhece bem, mas ainda não bem o suficiente que ainda não tenhamos surpresas pra tirar uns dos outros musicalmente, portanto considero que ele ainda é o produtor ideal para nós. Não sei dizer o que eu mudaria, eu ainda estou realmente satisfeita com o "Inner Monster Out". Vou começar a pensar no que eu mudaria no álbum na hora de trabalhar no próximo, pois é quando vou começar a procurar defeitos nele (risos).


HAH: Nesse novo álbum um dos grandes destaques é sem duvida a faixa titulo, com suas participações especiais. Como foi a sensação de reproduzi-la ao vivo e vocês já encontraram algum desses convidados para uma "jam" nos shows?

Dani: Infelizmente não! Björn está morando no Canadá, e os outros dois tinham outros compromissos quando tocamos em Gotemburgo e eles nem conseguiram ir ao show... Fredrik foi ao show e quase o colocamos no palco, mas ele fugiu quando percebeu (risos). Nós gostamos bastante de executar essa música ao vivo. O público sempre curte bastante conosco e a energia na ocasião é sempre maravilhosa!

HAH: Citando ainda shows, quais são na visão de vocês as musicas que nunca podem ficar de fora de um set list do Shadowside?

Dani: É difícil dizer... Atualmente, "Angel with Horns", "Waste of Life". Tem algumas músicas dos álbuns antigos que os fãs nos enforcariam caso deixássemos de tocá-las (risos). Mas acho que "Angel with Horns" hoje é a música essencial, que as pessoas esperam para ver... É uma música que provoca reações do público espontaneamente, como as palmas no riff inicial. Eu nunca chamei palmas nesse riff, porém o público sempre acompanha... E eu sempre achei que era nosso baixista, Fabio Carito, que estava chamando, até eu olhar para o lado e ver que ninguém da banda estava fazendo nada (risos). O público criou isso sozinho e foi impressionante, isso acontece em todas as cidades. É uma música que ficou na cabeça até do nosso produtor, nossa equipe nos shows, eles ficam cantarolando o refrão nos bastidores (risos).


HAH: Recentemente a banda estava em uma longa turnê na Europa, ao lado de dois ícones do Metal mundial, o Helloween e Gamma Ray, conte-nos um pouco desta tour.

Dani: Foi uma honra pra nós, não apenas porque fizemos parte de algo histórico, que é uma tour ao lado de bandas tão importantes como essas, mas também porque pudemos representar o Brasil em várias situações muito especiais, como termos sido a primeira banda de Metal brasileira a tocar no palco do Olympia, em Paris, França, por onde passaram os Beatles, Janis Joplin, Elis Regina e Tom Jobim, entre muitos outros. Foi uma turnê cansativa, praticamente sem tempo livre, pois tínhamos viagens de mais de 1000km nos poucos dias sem shows, porém foi uma experiência maravilhosa, recompensadora. Voltamos exaustos mas com a sensação de ter participado de algo marcante! O feedback do público foi incrível! Nós já havíamos tocado em vários países por onde passamos nessa turnê, porém também tocamos em vários outros onde nunca havíamos estado antes, como Bulgária, República Tcheca, Suécia e nossas expectativas foram mais que superadas, especialmente na Suécia onde imaginávamos que encontraríamos um público mais contido como geralmente são os escandinavos. Esperávamos uma reação mais "calma" em muitos lugares, afinal éramos a primeira banda das três, é difícil se empolgar em um show quando você não conhece a banda e eles tocam por tão pouco tempo... Porém as pessoas nos acompanhavam o tempo todo, interagindo conosco, sempre animados... Na Polônia, por exemplo, até o segurança batia cabeça e batia palmas quando pedíamos! (risos).

A convivência com Helloween e Gamma Ray durante a turnê foi muito tranquila, sempre. Ninguém com atitude de rockstar. Nós chegamos até meio tímidos porque não queríamos incomodar ninguém, não sabíamos como era a personalidade das pessoas em um convívio diário assim e não queríamos importunar, portanto eles acabaram ficando com a tarefa de quebrar o gelo e sempre apareciam no nosso camarim pra dar um oi, contar alguma piada, desejar que nos divertíssemos no show. Foram todos muito gentis conosco, tanto os músicos quanto a equipe. A equipe deles trabalhou intensamente por nós também, nos ajudando com montagens, resolução de qualquer problema que tivéssemos... Gratidão é uma ótima palavra para descrever o que sentimos por todo esse pessoal!

HAH: O Heavy And Hell gostaria de agradecer pelo tempo cedido e deixo o espaço final para vocês.

Dani: Muito obrigada pelo espaço, pelo apoio, espero vê-los pelos shows que faremos aqui no Brasil antes de fecharmos o ciclo do "Inner Monster Out". Para aqueles que estarão no show de São Paulo, que é nossa comemoração oficial da volta da turnê europeia ao lado dos nossos amigos do SupreMa, estejam preparados para o show de maior impacto do Shadowside no Brasil até hoje! Nos vemos em breve!


Conheça mais a banda:


Assessoria: The Ultimate Music





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