24 de julho de 2014

Entrevista - Banda: In Soulitary (Brasil)

Entrevista por: Renato Sanson



Heavy And Hell: Vocês estão na ativa desde 2002, mas só agora lançaram seu disco de estreia, o excelente “Confinement”. Conte-nos um pouco mais da história da banda até chegar a seu full lenght.

Matthew: Nós começamos na cidade de Ribeirão Pires no ABC sempre fazendo músicas próprias e tocando com amigos próximos que aos poucos tomaram seus próprios caminhos e saíram da banda, mas mantemos contato com eles, pois são nossos amigos e alguns ainda encontramos todo fim de semana! Tocávamos muito aqui na região do ABC, porém sempre no underground, pois não tínhamos a estrutura que temos atualmente. Em 2004 gravamos nossa primeira demo chamada “Mouth of Madness” e a intenção era lançar um álbum completo, o que felizmente não aconteceu naquela época (risos). Precisávamos amadurecer mais como músicos, por isso o lançamento do álbum se deu somente agora. Tivemos também um período de inatividade devido à troca de integrantes, o que atualmente está mais que resolvido e considero esta a formação clássica da banda!

HAH: O Death Metal Melódico ainda não é uma realidade no Brasil, mas ao ouvir “Confinement” vemos que a banda está disposta a marcar seu nome no estilo. Como vocês enxergam esta questão do pouco destaque ao Death Melódico no Brasil?

Elder: Eu particularmente não defino nosso som como Death Melódico, mas sim, temos influências desse estilo. Da formação original sobraram somente eu e o Matt, porém nos primeiros anos da banda tivemos a presença de vários integrantes e como era uma briga para definirmos um estilo acabamos mesclando tudo que cada um gostava para tentar agradar o máximo possível a todos, o que nos deu essa personalidade própria no nosso som. Eu sou muito fã do Metal alemão, especialmente bandas como Rage, Grave Digger, Running Wild e Blind Guardian, e trago isso para nosso som, assim como as influências de cada integrante que passou e que está atualmente na banda. No Brasil esse estilo nunca foi tão popular e creio que nos rotular assim é normal pelo estilo de vocal e por algumas partes de guitarras e bateria que remetem ao mesmo, mas particularmente vejo nossa música como uma mistura de vários estilos com a base do Power Metal.



HAH: Em relação a shows, como está sendo? Pois ainda vivemos um certo recesso quando se fala em bandas undergrounds, pois poucas recebem bons convites.

Elder: Essa questão é realmente difícil. Vejo muitas bandas cover por aí nos bares, pois infelizmente na maioria dos casos elas trazem mais público que bandas de som próprio e os donos de bares querem faturar, então eventos underground ficam mais restritos, embora o bom de bandas de som próprio que vem ocorrendo nos últimos anos tenha fortalecido mais a cena. Temos alguns shows marcados e estamos procurando tocar em todo lugar possível, porém o que precisaria ser feito é um apoio geral de todos, seja das bandas, do público, dos donos de bares, não importa. Falta entendimento de que se nos unirmos todos ganham! Sou bastante otimista e creio que a estrutura na cena underground está melhorando aos poucos e se profissionalizando, porém se nos ajudarmos este processo será bem mais rápido!

HAH: Um dos pontos altos de “Confinement” são as participações especiais, como surgiu está ideia? E teria algum convidado que ficou de fora do disco?

Matthew: A maioria das participações vieram de ideias do Marcel, nosso vocalista, pois queríamos celebrar nossas músicas com nossos amigos e esse foi um modo de termos todos juntos de alguma forma! Acho que cada um gostaria de ter chamado algum outro amigo para participar, porém seria impossível pelos recursos que tínhamos nas gravações e pela disponibilidade de todos.

HAH: Como está sendo na visão de vocês a repercussão do álbum? Está atingindo o que a banda esperava?

Elder: Estamos gostando bastante da repercussão! As resenhas feitas até agora estão evidenciando realmente o que queríamos atingir com nosso som que é ter uma identidade própria e fazer algo diferente do que vem sendo feito por aí. Ainda estamos em plena divulgação e esperamos que continue assim!


Confira nossa resenha aqui.
HAH: Hoje em dia vivemos uma onda virtual assombrosa, que a cada dia tira o espaço dos discos físicos. O que levou vocês lançarem “Confinement” em formato físico? Pois hoje a facilidade de lançar em MP3 é uma realidade.

Elder: Ao meu ver as pessoas ainda compram CDs das bandas que realmente gostam pois elas querem ter o encarte, ver fotos, etc. O CD físico traz uma interação diferente do artista com o fã, diferente do MP3 que é uma ótima ferramenta para levar o som da banda à todos os cantos do mundo instantaneamente. Você não pode realizar uma sessão de autógrafos somente com MP3.

Matthew: O CD físico hoje em dia também funciona como o cartão de visita das bandas. Bandas com CD gravado e prensado são mais bem vistas e respeitadas. Infelizmente isso é uma realidade.

HAH: Vocês acham que a internet afastou o público dos shows? Ou isso se deve a falta de experiência e vivência de alguns produtores?

Matthew: Vejo a questão de termos menos público nos shows de bandas nacionais mais como falta de estrutura das casas de show e bares. Muitos deles não têm a mínima estrutura para uma banda tocar e o som muitas vezes não sai bom, o que faz com que as pessoas se desinteressem em ir aos shows. Creio que aqui no Brasil ainda há a mentalidade do que é nacional não vale tanto quanto o que vem de fora, o que é extremamente errado! Temos muitas bandas boas aqui no Brasil, porém falta mais investimento por parte das casas de shows e experiência dos produtores e menos jeitinho brasileiro nisso tudo, pois muitos se aproveitam para faturar em cima das bandas que acabam sem receber o mínimo para se profissionalizarem. A internet afasta sim fisicamente as pessoas, mas ajuda na divulgação das bandas, o que é ótimo! Basta elas saírem de suas cadeiras e curtir os vários shows que acontecem em nosso país diariamente!



HAH: Para este segundo semestre o que podemos esperar do In Soulitary?

Elder: Queremos divulgar nosso álbum o máximo que der e tocar onde pudermos. Estamos preparando bastante material como clipes, vídeos e outras surpresas que aos poucos vamos liberando para a galera! Estamos também compondo para o próximo álbum e o que temos de material soa bastante promissor. Fiquem ligados na nossa página do Facebook e esperem boas surpresas! Obrigado pela força e SPREAD THE WORD!

Conheça mais a banda:

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