31 de agosto de 2014

Entrevista - Banda: Semblant

Entrevista por: Renato Sanson
Fotos: Divulgação

Talento, competência e persistência. Um pouco do que define a trajetória dos curitibanos da Semblant, que acabaram de lançar via Shinigami Records seu segundo disco, “Lunar Manifesto”.

Batemos um papo com o vocalista Sergio Mazul onde explica um pouco a história da banda, suas influências, mercado fonográfico e muito mais!

Confira agora mesmo, com vocês Semblant na pessoa de Sergio Mazul:


Heavy And Hell: A Semblant acabou de lançar o ótimo “Lunar Manifesto”, como foi o processo de composição do mesmo? E se tratando de tema lírico quais inspirações obtiveram?

Sergio Mazul: Bom, nos permitimos ter tempo para reunir nossas melhores ideias. Formamos um time muito criativo então temos hoje Juliano Ribeiro, Sol Perez, Mizuho Lin e eu escrevendo músicas e letras, sendo que os demais integrantes J. Augusto, João Vitor Peres e Welyntom "THOR" Sikora também contribuem ao extremo na soma para os resultados finais das composições. Muitas vieram com um “escopo” pronto do projeto, com letra, ideias de linhas de voz e instrumentais pré-gravados para trabalharmos juntos em cima; outras vieram apenas com estrutura instrumental para encaixe de linhas de voz e outras também vieram de jams que fazíamos no meio ou ao fim dos ensaios. Não temos fórmula uma exata.

Nossas inspirações sempre vieram tanto da visão emocional mais obscura que temos da civilização moderna, do homem moderno, do sobrenatural explorado pelo cinema e pela literatura quando da contestação direta ao discurso desprovido de conhecimento das religiões manipuladoras. "The Shrine”, por exemplo, tem base em um filme europeu de mesmo nome e de uma visão realista sobre tantos conhecimentos místicos que a igreja sempre considerou heresia. Já “Dark of the Day”, “Selfish Liar” e “Incinerate” possuem um vasto conteúdo de experiências e visões emocionais. “Scarlet Heritage (Legacy of Blood part III)” é a terceira parte de um épico que continuamente escrevemos sobre o universo fantástico dos vampiros. Enfim, “Lunar Manifesto” representa em onze faixas tudo o que a Semblant foi, é e continuamente se tornará, desde seus primórdios.

HAH: Ainda sobre o novo disco, o Metal Sinfônico é predominante, porém é perceptível elementos de Occult e Dark, o que deu um dinamismo maior as composições. Quais são as principais influencias da banda?

SM: Não consigo rotular nossa banda. A Semblant sempre primou por uma identidade totalmente própria e acredito que conseguimos firmar ainda mais esse objetivo com “Lunar Manifesto”, que consideramos um disco de Metal... Metal e ponto! Sem um subgênero atrelado. Isso se deve justamente a termos uma gama de influências imensa, visto que somos sete integrantes e cada um contribuiu com seu estilo próprio nas onze músicas do disco. Como desde o início da banda adotamos uma atmosfera Dark e obscura nas letras e sons, acredito que esse lado seja bem representado por bandas como Moonspell, Amorphis, Katatonia, Paradise Lost... Mas grupos como Nevermore, Fear Factory, Dark Tranquility, Graveworm, Children of Bodom, Cradle of Filth e tantos outros também sempre tiveram voz sobre nossos ouvidos.

Não digo apenas essas, pois alguns integrantes também são fãs de gêneros como Prog Metal, adotando bandas como Symphony X e Kamelot  e a Mizuho sempre amou bandas como After Forever e Nightwish, dentro de sua própria gama de influências. Pessoalmente para mim, é muito difícil falar sobre influências. Eu coleciono CDs e discos e sou fã de quase todos os gêneros e subgêneros do Metal. Ouço muita coisa, Occult Rock inclusive, como Orchid, Ghost, The Devil’s Blood! Lógico que isso influi também na maneira de escrever, somando a influências literárias. Mas posso dizer que bandas como Morgana Lefay, Candlemass e Memory Garden também falam alto ao lado de influências mais extremas com Behemoth, Septic Flesh, Rotting Christ e tantas outras; não descarto bandas com letras mais densas do Gothic Rock também, como Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy de dentro da minha própria “escola” vocal.


HAH: Atualmente vocês estão trabalhando com a gravadora Shinigami Records, que está abrindo um grande espaço as bandas nacionais. Conte-nos um pouco sobre está parceria.

SM: A Shinigami Records é sem dúvidas, a gravadora independente mais ativa e seletiva hoje no Brasil. Nomes sensacionais como Unearthly e Lothloryen também fazem parte do cast e a gravadora faz questão de divulgar muito suas bandas no território brasileiro, o que aliado à pró-atividade da própria banda, traz excelentes resultados. Estamos bem contentes, satisfeitos e agradecidos com essa parceria feita para o álbum “Lunar Manifesto”. 

HAH: Estando na ativa desde 2006 muita coisa mudou nesses últimos oito anos, como vocês enxergam o mercado fonográfico atualmente?

SM: Acredito que é um período de renovação. Não digo que o CD está morto como tantos outros, pois todos falavam o mesmo do Vinil e das fitas K7 e hoje o mercado lança versões dos álbuns da banda em Picture Disc, Vinil tradicional e as grandes gravadoras recentemente ressuscitaram até mesmo a fita K7! Edições especiais repletas de itens além do CD em si, discos bem produzidos, com design caprichado e singular e promoções que valorizem o fã, fazem com que as bandas ainda vendam suas versões físicas, além claro, das digitais. A venda de música por download é uma realidade atual que deve ser encarada como aliada, mas acredito piamente na reação das vendas das versões físicas pelo mercado estar apresentando produtos interessantíssimos, que despertam no fã a vontade de adquirir um item tangível.

Confira nossa resenha AQUI.
HAH: É fato que estamos sendo engolidos por uma era digital, o que de certa forma afastou o público dos shows. Na visão da Semblant o que poderia ser feito para reverter tal situação?

SM: Incentivar, através de festivais e shows, o público a comparecer aos eventos em carne e osso, ao invés de se acomodarem assistindo a transmissões online por streaming. Lançar materiais bem produzidos, atrativos e interessantes que despertem a vontade no fã de adquirir, de possuir, de querer fazer parte do mundo da banda, como fazíamos anos atrás com nossos ídolos. O mercado saturou, ficou repleto de bandas de todos os estilos e gostos, o que é ótimo de um lado por todos termos uma chance de lançar material e ganharmos espaço para tocar, mas também abriu precedente para que muitos amadores aparecessem e desmotivassem os fãs ávidos por encontrar boas bandas.

Com festivais reunindo boas bandas, com ingressos a preços aceitáveis e divulgação competente e atrativa, acredito que mais pessoas compareçam aos shows. Um belo exemplo? Os Festivais em Santa Catarina. Otacílio Rock Festival, Rock in Santa, River Rock, Brothers of Metal, Inferno Metal Fest, Zoombie Ritual, Orquídea Rock Festival, cada festival acontece em uma cidade diferente do estado, reúne diversas bandas de todo o Brasil que são divididas em dois ou três dias, contém áreas de camping e alimentação para o público e tem excelente estrutura. Já estão virando tradição por acontecerem anualmente e por não conflitarem entre si, visto que os organizadores se unem para espaçarem um dos outros e o público poder comparecer a todos!


HAH: Um dos pontos que chamam atenção na sonoridade da banda é a mescla vocal feita, que entrelaça o lírico com scream e gutural, algo que já se tornou comum no estilo, porém na Semblant soa revigorado e diferente. Como vocês chegaram a esse nível de vocalizações? Pois poucos sabem que não basta só colocar uma bela voz na gravação...

SM: A gama de influências citada em uma longa resposta anterior responde, ao menos, a minha parte na resposta. Eu comecei minha trajetória musical na adolescência, cantando Heavy Metal com voz totalmente limpa, mas à medida que o tempo foi passando e eu fui absorvendo os sons mais extremos, quis experimentar os guturais e os vocais mais rasgados presentes no Black/Death Metal, os vocais mais carregados de drives ou gritados do Thrash Metal, os graves e dramáticos do Doom/Gothic e percebi que ao conseguir executar e mesclar tantas influências, poderia implementar mais versatilidade dentro das nossas músicas. Que poderia interpretar letras mais dramáticas de maneira mais completa, sem me restringir a um só estilo. Gosto de sentir que não preciso me limitar e isso me motiva a me esforçar para evoluir cada vez mais como vocalista.

Sobre a Mizuho, ela possui uma formação clássica e erudita, sempre cantou lírico, mas também possui uma versatilidade sem igual e um interesse em evoluir muito raro, fazendo com que quebre paradigmas e saia do padrão e senso comum da maior parte das mulheres cantoras de Rock e Metal. Ela desde a sua entrada em 2010, abraçou o desafio de cantar com a própria voz, sem o lírico, em nossas músicas mantendo o estilo que adotávamos nas músicas até então. Ela evoluiu tanto desta maneira durante o EP “Behind the Mask” e o processo do “Lunar Manifesto”, que além de experimentar mesclar o lírico, anda estudando e praticando até gutural!

Ampliar cada vez mais nossos horizontes como vocalistas, é um desafio constante para fazermos shows cada vez melhores, músicas cada vez mais completas e gravações cada vez mais impactantes.

HAH: Para esse segundo semestre e 2015 o que podemos esperar da Semblant?

SM: Podem esperar uma constante atualização em nossa agenda de shows, um vídeo clipe fenomenal para uma das músicas do novo disco – “What Lies Ahead”, algumas aberturas de shows internacionais para ídolos nossos, a serem reveladas em breve, mais um lyric vídeo além do que fizemos para “The Shrine” e mais parcerias a serem fechadas! Estamos bem empolgados e otimistas!


HAH: Finalizando gostaria que nos fala-se quais bandas estão ouvido no momento e quais nacionais podem se tornar destaques em nossa cena.

SM: Do âmbito internacional, chegaram a nossas mãos e ouvidos os trabalhos mais recentes de bandas como Sirenia, Children of Bodom, Arch Enemy, In Flames, Killswitch Engage, Soilwork, Behemoth, Septic Flesh, Amorphis, ReVamp, Allen Lande, Trail of Murder, Evergrey – esta última, com quem temos uma grande amizade, a Mizuho participou do trailer para Brasil e Portugal do novo disco deles, fazendo a narração em português – e estamos entusiasmados com alguns lançamentos que estão chegando, como os novos do Sanctuary, Belphegor, Opeth,... Enfim, fazemos questão de nos mantermos muito atualizados e por dentro do estilo de vida que tanto amamos!

Sobre bandas nacionais, tem diversas com quem dividimos o palco e temos afinidade, que considero destaques e que irão alçar voos cada vez mais altos, entre elas algumas de Curitiba (nossa cidade) como Doomsday Ceremony, Krucipha, Necropsya, Livin Garden, Fire Shadow, Wild Child, Ankhy, Macumbazilla e Imperious Malevolence e outras de outras cidades e estados como Trayce, Hazy, Unearthly, Holiness, Frost Despair, Krow, Distraught, Unblack Pulse, Lothloryen, Symphony Draconis, Voodoopriest, Symbolica, Hevilan, Seventh Seal, Symmetrya e tantas outras que ficaria difícil citar em uma só entrevista!


O Brasil nunca esteve tão fértil em bandas profissionais e de extrema qualidade em suas produções; basta perceber o número crescente de bandas brasileiras fazendo tours na Europa e EUA! E que o Metal nacional continue a ganhar o mundo cada vez mais! A Semblant busca ser um braço cada vez mais forte na luta por esse objetivo, com certeza.




Conheça mais a banda:

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