15 de abril de 2015

Entrevista - Banda: Republica (SP)

Entrevista por: Renato Sanson

Entrevista com um dos grandes nomes atuais do Heavy Metal nacional, Republica!

Falamos com Luiz Fernando Vieira, Jorge Marinhas (guitarras) e  Leo Belling (vocal) sobre o novo disco, sua carreira de 20 anos e muito mais, confira:


Heavy And Hell: Recentemente o Republica teve a adição de um novo membro, o baterista Fernando Rensi. Como está sendo a adaptação do mesmo? E como chegaram à escolha por Fernando?

Leo Belling: Conheço o Fernando Rensi há quase 25 anos. Nós começamos tocando juntos com 14 ou 15 anos de idade e tivemos algumas bandas nos anos 90 e início dos anos 2000 e sempre admirei sua dedicação, técnica e performance na batera. A amizade e o contato continuaram, apesar dele ter ido morar e trabalhar tocando na Australia e em Los Angeles. Com a saída do Gabriel e a inesperada volta do Fernando Rensi na mesma época, a opção natural era convidá-lo para tocar conosco, pelo menos por um período até que resolvessemos essa situação. A experiência internacional, a amizade, os ensaios e vários shows com o Republica, acabaram integrando o Rensi com a banda e a permanência dele, agora como integrante oficial do Republica, aconteceu de forma natural e estamos bem felizes de te-lo conosco nessa excelente fase da banda em 2015, que trará turnes nacionais e internacionais e um disco novo no segundo semestre.

HAH: Conte-nos um pouco sobre o novo disco “Point of No Return”, que está sendo bastante elogiado na critica especializada, vocês esperavam tamanha repercussão?

Luiz Fernando Vieira: Eu não diria que estamos surpresos, pois sempre trabalhamos com este objetivo, mas com certeza a repercussão foi acima das nossas expectativas, tanto na mídia mais focada em som pesado, como no segmento mais mainstream. Na verdade é resultado de um trabalho árduo de mais de 3 anos, entre composição, gravação, lançamento e turnês. Como olhamos apenas pra frente, já estamos preparando material novo. Aproveitamos para agradecer aos fãs e todos os canais de mídia que nos apoiaram, acreditam no nosso trabalho e que nos dão a certeza que estamos no caminho certo.


HAH: E como foi o processo de composição do mesmo?

Leo: Todo processo de feitura de um álbum leva tempo e todas as decisões têm que ser tomadas com muita cautela e certeza. No nosso caso não foi diferente, tanto na fase de composições quanto de pré-produção, incluindo ainda arte, capa, produção, mixagem e masterização. A escolha do Luis Paulo Serafim, que é um grande amigo da banda, foi um processo natural e desde o início tínhamos o nome dele como certo pra conduzir e levar a sonoridade da banda a um outro patamar. Buscávamos algo mais maduro e preciso, e como a nossa maior preocupação era imprimir no álbum toda a nossa prévia pesquisa de sonoridade e timbres com personalidades únicas, o LP (Luis Paulo Serafim) é definitivamente “o cara” pra se ter ao seu lado. Passamos um ano compondo as novas faixas e gravamos uma pré-produção ao vivo em estúdio e logo apresentamos ao LP que analisou tudo com muita eficiência e nos apresentou um plano de trabalho e gravações, que foi seguido a risca do início ao fim. Trabalhar com ele foi um processo muito divertido, de muito aprendizado e extremamente profissional.


Buscamos juntos dentro do estúdio a combinação perfeita para o nosso som, testando afinação, diferentes instrumentos, amplificadores, periféricos, pedais, microfones até chegarmos a uma mistura perfeita e obter timbres que demonstrasse a força e peso do som do Republica. É um trabalho meticuloso, exaustivo, mas que quando é bem conduzido faz muita diferença no resultado final. Outra grande contribuição do LP no processo foi a incansável busca pela performance perfeita dos tracks de cada instrumento ou voz gravada. Ele não é um cara de cortar e colar e sim de valorizar a performance do músico em benefício do todo. E ele é bem exigente quanto a isso dentro do estúdio! Como produtor ele nos deixou bem a vontade e conversávamos muito sobre cada detalhe. Ele é um cara que tem um ouvido absurdo e nada era feito sem uma intenção clara em busca do resultado final.

HAH: A masterização de “Point of No Return” ocorreu nos Estados Unidos e ficou a cargo de Stephen Marcussen, que já trabalhou com Rolling Stones, Kiss, Black Sabbath, Alice In Chains e Foo Fighters. Como foi a experiência de contar com o trabalho de uma pessoa tão conceituada no cenário?

Leo: Foi também extremamente eficiente. Buscamos um cara que consideramos um dos melhores profissionais de master do mundo, um dos mestres dessa arte. A escolha dele foi justamente em função da nossa busca por uma sonoridade grande, forte e única. E ele chegou no resultado exato que queríamos, coroando um trabalho de quase dois anos.


HAH: Vocês estão na ativa há quase 20 anos, em um parâmetro geral como você avaliaria todo esse tempo dedicado ao Metal?

Jorge Marinhas: Passa muito rápido. Dá um puta prazer e orgulho e não temos nenhum arrependimento. São mais de 20 anos de banda, mas consideramos que hoje o Republica vive sua fase de viver como banda e se dedicar ao metal com prioridade. Na real, estamos apenas começando! (risos)

HAH: Em maio vocês estarão em turnê com o Adrenaline Mob, qual a expectativa para esses shows?

Leo: Conhecemos os caras do Noturnall e do AMOB há um tempo e sempre pensamos em fazer essa tour juntos. Republica e Noturnall são bandas irmãs, assim como seus integrantes. É uma grande família que se ajuda nesse mercado foda do metal nacional. A expectativa é das melhores e fica a promessa que vamos arregassar em cada cidade que passarmos. Vai entrar pra história do metal nacional, tenho certeza!


HAH: “Point of No Return” já tem dois videoclipes, “Life Goes On” e “El Diablo”. Qual a importancia da divulgação visual para vocês? Em tempos atuais a divulgação visual acaba sendo mais eficaz que o próprio disco?

Leo: É sempre muito difícil escolher uma faixa do álbum para ser um single ou virar um clipe, pois ao longo do processo de composição e gravação do disco vamos nos apegando a todas as faixas, cada um por um motivo específico. Mas, neste caso, foi uma decisão unânime na banda, o processo democrático funcionou pelo menos desta vez. Tivemos a sorte de poder apresentar as músicas do disco em muitos shows ao longo de 2013 e 2014 e o feedback do público foi sempre muito forte com a “Life Goes On”, tanto ao vivo quanto através das nossas redes sociais.

Esse resultado nos trouxe a certeza que o nosso feeling já apontava. Ai ficou fácil. E também porque a letra possibilitava a busca de algo conceitual e não somente focado na performance. Buscávamos algo que fugisse do clichê de clipes de bandas de metal muito focadas em performances de “galpão com fogo” e algo que pudesse traduzir sutilmente as nuances da letra e da mensagem por trás da composição. Tendo isto em vista, o diretor, Gerardo Fontenelle, nos trouxe a temática estética stalinista, mesmo sem cunho politizado - se é que isso é possível -, abordando o tema da letra com as referências de Orwell. Foi uma gratificante viagem no tempo e neste clássico literário mundial e tenho a certeza que conseguimos aplicar o conceito e dar significado marcante a mensagem que gostaríamos de transmitir ao público em geral, mesmo que de forma subliminar.


O clipe foi gravado durante um dia inteiro (23 de março de 2014) nas garagens do Estádio do Morumbi em São Paulo. Passamos um dia inteiro na locação, entre a gravação das meninas e a performance da banda sozinha e com a presença das meninas também. Acho que tocamos a músicas umas 15 vezes pra termos bastante opção de edição. A equipe de produção da Manimou foi muito ousada em fazer tudo em um dia e extremamente competente em seguir o cronograma, que nos deixou bem tranqüilos, ou seja, conseguimos tudo o que precisávamos e ainda deu tempo de comer, beber e confraternizar com todo mundo. Acho que eram mais de 30 pessoas no final das gravações. O mais legal é que o clipe já está com mais de 170.000 views pela Vevo Internacional, ou seja, o trabalho está sendo reconhecido e isso que importa.


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