7 de dezembro de 2016

Resenha - Banda: Opeth - Álbum: Sorceress (2016 - Shinigami Records/Nuclear Blast)

Resenha por: Uillian Vargas


Passados dois anos do último lançamento (Pale Communion – 26/08/2014), Opeth joga em nossos braços a mais nova “filha”: “Sorceress”, que ganhou a luz do novo mundo no último dia de setembro de 2016. Mesma data que, em 1061, o mundo conheceu o primeiro livro impresso, através da máquina fabricada por Gutenberg. Emblemática data, hein? (ou não?).

Já na segunda faixa do disco, que dá nome à bolacha, é possível perceber que o som da guitarra está muito mais pesado do que nos últimos dois trabalhos da banda. Isso só confirma o que Fredrik Akesson já havia afirmado em inúmeras entrevistas de pré-lançamento. Ainda na faixa “Sorceress” é identificável como Joakim Svalberg administra muito bem o Hammond em linha paralela à guitarra (ou vice-versa, a sua escolha). Ressaltando o que há de mais contextual e consolidando o que o Opeth já construiu dentro do Progressivo, a segunda faixa ainda apresenta uma alusão ao Stoner e uma pitada muito discreta de Grunge. Uma receita que, se apresentada antes de finalizar, seria tida como inexecutável. Não esqueçam, estamos falando de Opeth, claro que funcionou e muito bem!

Essa pegada destoa totalmente da continuação da música, “Sorceress Pt2”, mas incrivelmente é uma belíssima melodia muito bem construída, praticamente um “lullaby” harmônico. Uma suplica ou uma despedida talvez, muito bem embalada pelo dedilhado cromático do violão de Fredrik Åkesson. Perfeito prelúdio para “The Seventh Sojourn”, que invade os ouvidos numa balada flamenca, que remete aos costumes mouros (de arrepiar).

“Sorceress” certamente é o espectro mais eclético do Opeth, e por isso, nós os saudamos. Ainda que eclético, reserva uma carga impressionante de identidade. Quero dizer: diferente, mas ao mesmo tempo não foge à identidade da banda. Isso se percebe ao levarmos em conta as outras obras do grupo. A este fator, damos os nomes: herança cultura e patrimônio inspiracional. O disco atual poderia ter sido considerado um “analgésico sonoro” entre “Watershed” (2008) e “Heritage” (2011), se tivesse sido lançado entre esse período. Feita a consideração atemporal, voltamos a 2016!

Se comparado com o trabalho anterior, percebe-se que a influência Jazz deu adeus e no lugar dela reinou uma inspiração mais setentista. Perceptível ao som do Hammond, do Melotron e da Fender Rhodes 88, todos pilotados por Joakim. Este é o segundo álbum de Joakim Svalberg com o Opeth, e sinceramente acredito que ele trouxe um som mais do que merecido para o grupo. A energia harmônica entre o tecladista e a guitarra soa com uma fluência cristalina (nesse momento, solte o play da própria “Sorceress” e “The Wilde Flowers”). E já que mencionada, essa faixa revela outra tocha que iluminou os caminhos do novo disco: Martín Méndez. O baixista mostrou a que veio durante The Wilde Flowers, e a pegada se perpetua pela obra. Méndez praticamente incendeia nas performances e merece muito mais crédito do que tem recebido ultimamente.

Mikael Åkerfeldt talvez tenha chegado ao patamar mais elevado de sua carreira com a criação e o auge da sua “feiticeira”. Na ativa desde 1993 no Opeth (1995 Orchid - primeiro Full-length a frente da banda), Mikael é, além de excelente vocalista, um músico multifacetado: baixo e piano (1998), mellotron (2005), mellotron e Piano (2011). Esses são grandes detalhes que conferem musicalidade impar e incondicional ao grupo.

Um ponto não tão interessante? A “Persephone” instrumental. Acredito que essa peça deu ao encerramento do álbum um aspecto aberto, incompleto. Bem, pode ser que ela esteja dando uma pista de continuidade e, caso seja essa a ideia, não ficou nítida (proposital? Quem sabe?). Apesar deste pequeno detalhe o disco deixa claro que é um grande catalisador de riffs pesados, melodias, influencias passadas e o poder absoluto do vocal de Mikael.

Para encerrar esse capítulo de “Sorceress”, não poderia deixar de citar a belíssima capa. Em cores exuberantes e exibindo uma incrível transição de cores de forma alegremente mórbida, Travis Smith (Cradle of Filth, Death, Demons & Wizards, Iced Earth, King Diamond, Nevermore, etc. – a lista é enorme.) assina a “cereja do bolo”, com maestria de quem já sabe muito bem o que quer fazer. Poderia dizer que o novo álbum chega para transformar o Opeth no que a banda sempre foi: Um manancial de referência musical! Mas querem saber? Esqueçam! Opeth é simplesmente impressionante!

Ao mundo, o disco ganhou vida pela Moderbolaget Records e Nuclear Blast, aqui no Brasil veio pelas mãos da Shinigami Records.

Lineup:
Mikael Åkerfeldt – vocal, guitarra, letras e produção.
Fredrik Åkesson – guitarra, backing vocal
Joakim Svalberg – piano, teclado, backing vocal
Martín Méndez – baixo
Martin Axenrot – bateria e percussão

Participação Especial:
Pascale Marie Vickery – narração em Persephone e Persephone (Slight Return).

Track List:
1. Persephone
2. Sorceress
3. The Wilde Flowers
4. Will O the Wisp
5. Chrysalis
6. Sorceress 2
7. The Seventh Sojourn
8. Strange Brew (Åkerfeldt, Fredrik Åkesson)
9. A Fleeting Glance
10. Era 
11. Persephone (Slight Return) 

Limited edition bonus tracks CD 02*
1. The Ward      
2. Spring MCMLXXIV 
3. Cusp of Eternity (live with The Plovdiv Philharmonic Orchestra)
4. The Drapery Falls (live with The Plovdiv Philharmonic Orchestra)       
5. Voice of Treason (live with The Plovdiv Philharmonic Orchestra)

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