2 de janeiro de 2017

Resenha - Banda: Meshuggah - Álbum: The Violent Sleep of Reason (2016 - Shinigami Records/Nuclear Blast)

Resenha por: Uillian Vargas


Após um breve hiato (Koloss - Full-length em 2012 e The Ophidian Trek - Live álbum 2014) finalmente os suecos da Meshuggah estão de volta, com seu novo álbum intitulado “The Violent Sleep of Reason”. Lançado mundialmente em 07 de outubro de 2016, o disco foi selado pela Nuclear Blast (e no Brasil, pela Shinigami Records) e alcançou a posição 17 na “US Billboard 200”, em sua estreia. Agressivo, pesado, revolto, o disco tem muito a contar sobre a evolução da banda e de como ele soa como um resgate de essência.

O quinteto está na ativa desde 1987, porém o novo álbum é inspirado na obra do espanhol Francisco Goya, chamado: The Sleep of Reason Produces Monsters. Uma busca de inspiração na arte romântica e antiga, proveniente de um período em que os artistas buscavam “razão para o sentido”. Não falei que a obra era um resgate? Eis um dos pontos!

Francisco Goya – Romantismo 1797

Na obra de Goya, decifra-se que o artista era acometido de pesadelos terríveis e apavorantes, com presença de corujas que se transformavam em morcegos. Assim como além do óleo na tela, a sonoridade do novo disco do Meshuggah traz à tona um conceito muito mais pesado e que vai além da música em si e da contemplação da(s) obra(s).  Se o sono da razão produzia monstros no passado, atualmente o que nos aconteceria se a razão simplesmente caísse violentamente em sono profundo? Uma pergunta que não precisa ser respondida em alto e bom som, apenas escute o disco e discorra mentalmente sobre a questão. Sonoramente o álbum não inaugura nenhuma nova fase para a banda, então não é um pecado relatar que ele se encaixa em algum lugar entre “Nothing” - 2006 e “Koloss” – 2012. A versatilidade da banda permite a ousadia de manter a fórmula do estilo, pois a qualidade musical proporciona música sem data de validade. Então, estejam à vontade e continuem fazendo (muito bem) o que estão fazendo agora que não irão causar desconforto algum. Essa mesma versatilidade, talvez, esteja presente na banda pelo advento decontar com quatro compositores: Tomas Haake (bateria), Mårten Hagström (guitarra), Fredrik Thordendal (guitarra) e Dick Lövgren (baixo). Jens Kidman ficou encarregado de imprimir seu potente vocal em tudo que foi escrito e musicado.

“Clockworks” é uma excelente porta de entrada e mostra uma boa parte do dinamismo do grupo com um Technical Groove agressivo contrapondo o cerne Djent do disco. Além de sonoridade, a produção da bolacha foi inteligente na administração do setlist, pois a “Born in Dissonance”, só acentua o que a primeira música havia introduzido. Aí só pra confirmar, chega a (cheia de graças) “MonstroCity” em que Fredrik Thordendal desce a mão sem dó nem pena, na guitarra (e a sonoridade e afinação das guitarras lembra bastante Catch Thirtythree – 2005). Toda a brutalidade e peso do disco não assuntam, até o ouvinte saber que o álbum foi gravado totalmente ao vivo. Isso mesmo, todos os integrantes da banda, capturando os instrumentos simultaneamente e no mesmo estúdio. Dessa forma foi possível impregnar as execuções com sua crueza e fidelidade.  Apesar do álbum, como um todo, soar como um terremoto de alta escala, pode ser que ele não seja o eclipse sonoro esperado pelos fãs. Complicado estimar expectativa para o Meshuggah. Já sabemos as principais influencias, já sabemos as propostas e a menos que a banda resolva “trilhar outros caminhos” (e que eles não me escutem), não teremos grandes novidades nos trabalhos.  E sinceramente, isto está longe de ser um problema. Ah, mas ainda não é fã e não conhece o trabalho dos caras? Sem problemas. Minha dica:
- Começa com Koloss, depois escuta Catch Thirtythree (melhor de todos, em minha opinião) e dá um jeito de colocar as mãos no “The Violent Sleep of Reason” de uma vez. Pronto, aqui está a receita perfeita para “pegar o jeito” e treinar o ouvido. Claro, depois corre atrás dos demais álbuns, que também valem muito a pena.

Ainda que o disco atual (talvez) não supere os álbuns passados, é inegável que existe mais vida em “The Violent Sleep of Reason”. Trata-se de composições e execuções mais orgânicas e fluentes, isso demonstra maturidade e conhecimento.
 
Thomas Eberger (Behemoth, Amon Amarth, Pain of Salvation, Symphony X, etc.) masterizou esse tijolasso, e ficou um trabalho de primeira e muito bem equalizado. A capa foi concepção de Luminokaya, um artista russo que já criou outras capas para a banda (inclusive o afamado Koloss).  Não perca tempo, dê trabalho aos ouvidos, vale cada segundo!


Links de acesso:

Formação:
Jens Kidman - Vocal
Fredrik Thordendal - Guitarra
Tomas Haake - Bateria/Backing Vocal
Mårten Hagström - Guitarra
Dick Lövgren - Baixo

Tracklist:
1 - Clockworks
2 - Born in Dissonance
3 - MonstroCity
4 - By the Ton
5 - Violent Sleep of Reason
6 - Ivory Tower
7 - Stifled
8 - Nostrum
9 - Our Rage Won't Die
10 - Into Decay

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