Insane Driver: "Esse é um velho problema no nosso país, sempre idolatramos as bandas clássicas e esquecemos das novas..."

Por: Renato Sanson

Músicos entrevistados: Eder Franco (vocais), Dan Bigal (guitarra e backing vocals), Dave Martins (guitarra) e Cesar Castro (baixo e backing vocals) 


Como surgiu a ideia de misturar os estilos do Heavy Metal? Pois sabemos o quanto se torna difícil soar marcante e prender a atenção do público com tantas mudanças e alternâncias.

Dan: Na verdade aconteceu de forma bem natural. Cada um dentro da banda possui influências diferentes, e como a composição é feita por todos juntos, acho que essa mistura acaba refletindo no som final.

É perceptivel o quanto soa natural tantas variações e mesclas na sonoridade do Insane Driver, nos trazendo dois ótimos discos. Como funciona a parte criacional da banda?

Dave: Nossas músicas sempre nascem de um riff ou dedilhado. Na maior parte das vezes o criador do riff/dedilhado adiciona também mais corpo à música, relacionando a mesma a uma harmonia e base, mas é no processo juntos no estúdio de ensaio que nossas músicas começam a ganhar forma. Lá é onde começamos essa mistura de influências e estilos. Nesse processo adicionamos as linhas de bateria, começamos a criar as melodias, pegamos aquela ideia original e vamos polindo a mesma até chegar no corpo da música que queremos, adicionando pequenos detalhes que fazem toda a diferença e modificando o que for necessário, por último adicionamos as letras. 

Nesse álbum vale destacar o trabalho de pré-produção que realizamos, onde nosso produtor Danilo Pozzani nos elogiou dizendo que foi a melhor pré-produção que ele trabalhou até o momento, nessa hora vimos que estávamos no caminho certo para um ótimo álbum. Nesse processo de pré-produção focamos em fechar o máximo de detalhes finais possíveis, para chegar no estúdio e focar totalmente em gravar da melhor forma possível.

“Silicon Fortress” traz uma grande evolução musical se comparado ao Debut e também a estreia de Eder Franco (vocal) e Cesar Castro (baixo). Comente um pouco mais sobre essas mudanças e evoluções.

Cesar: Acredito que muitas influências da banda que “não couberam” no primeiro tiveram mais espaço nesse segundo álbum. Como o álbum é conceitual e a temática complexa, cabia também trazer essa complexidade pros arranjos e composições. Eu sempre fui muito fã de metal progressivo no geral: Dream Theater, Symphony X, Karnivool… Então pude trazer minha contribuição nesse aspecto, também. Quando cheguei, as músicas todas já tinham em sua maioria forma e arranjos definidos, mas tive liberdade pra recriar os arranjos de baixo e até sugerir alterações em algumas das composições.

A parte lírica do álbum traz um tema bem reflexivo e atual. O poder da tecnologia na sociedade. Que me fez lembrar o clássico Blade Runner e a frieza que os humanos se tornaram ao meio do excesso tecnológico. Seria esse o nosso futuro?

Eder: A tecnologia nos trouxe até aqui, muito da nossa vida moderna (como essa entrevista à distância) passa pela tecnologia, porém, nos deixou mais distantes… Então essa sua comparação com Blade Runner é perfeita. Sim, estamos mais frios, menos empáticos e em “bolhas” que dificultam ver os outros com mais “carinho”. Se esse será o nosso futuro? Bem, podemos impedir o aquecimento global se tomarmos uma atitude hoje, porque não mudarmos esse rumo também? Torço muito para que consigamos mudar esse rumo em que não nos importamos mais uns com os outros.

Relacionado ao mundo artístico, onde tudo tende a se tornar tão frio e distante devido ao excesso de tecnologia. Na visão de vocês, quais os pontos positivos e negativos da Era tecnológica?

Eder: Olha, os pontos positivos são muitos! Por exemplo: pra gravar esse álbum, fizemos uma longa pré produção, depois que tínhamos as estruturas das músicas formadas (após muitos ensaios juntos), podiamos depois gravar nossas partes, enviar por mensagem instantânea e imediatamente todos da banda podiam ouvir, opinar, sugerir mudanças… Cada um da sua casa! Se parar pra pensar, nem grandes artistas tinham esse tipo de recurso no passado, então meio que democratizou a produção musical… Fizemos um lançamento mundial do nosso álbum através das plataformas digitais, fizemos campanhas de marketing pelas redes sociais que atingiram milhares de pessoas, isso pra ficar apenas no campo musical. De pontos negativos, eles foram fartamente abordados no álbum, temos esse isolamento cada vez maior, a falta de empatia como disse anteriormente, e o isolamento no mundo virtual (Silicon Fortress), e a radicalização de gostos e ideias, que podem ser prejudiciais para a humanidade como um todo, já vemos prejuízos causados por isso: depressão (Keep Away)  as fake news (Age of Lies) e por aí vai… É uma faca de dois gumes, nos ajuda muito, mas também prejudica.

O Insane Driver desponta no cenário nacional não mais como uma promessa, mas sim como uma realidade. Levando a bandeira do Heavy Metal nacional daqui em diante para as novas gerações assim como muitas outras bandas. Sabemos que é difícil admitirmos que nossos ídolos estão indo embora e se aposentando, mas já não está na hora do público abraçar os novos e fazerem chegar tão longe quanto os clássicos?

Eder: Esse é um velho problema no nosso país, sempre idolatramos as bandas clássicas e esquecemos das novas. É realmente um caminho difícil de se trilhar, pois como você disse, eles não vão durar pra sempre, então precisamos de renovação. Qualidade é o que não falta aí fora, as pessoas precisam abrir os olhos e os ouvidos para as bandas novas e as bandas novas também precisam sempre apresentar um trabalho caprichado pra tentar merecer essa atenção. Espero que estejamos no caminho certo!

Foto: Thamy Moon

Uma curiosidade em “Silicon Fortress” que parte do mesmo foi composto ao meio da Pandemia. Mesmo com toda a dificuldade de distanciamento o álbum foi concebido e tem recebido ótimas críticas. Como foi este processo?

Eder: Quando a pandemia começou já tínhamos concluído as composições, estruturas, e estávamos na fase de gravarmos as prévias das músicas, nessa fase, já estávamos trabalhando nisso à distância, então não prejudicou muito. As gravações foram tranquilas pois o estúdio estava fechado devido a pandemia então nosso produtor pôde se dedicar inteiramente a nós, íamos dois de cada vez (um pra gravar e o outro pra ajudar) e o nosso produtor (Danilo Pozzani). Nesse aspecto foi ruim, pois foi um momento único e não pudemos curtir em sua plenitude devido às limitações de número de pessoas no mesmo ambiente, mas no fim deu tudo certo e estamos muito contentes com o resultado!

Qual a expectativa do Insane Driver para retornar aos palcos? Existe a possibilidade de retornarem ainda este ano?

Eder: Olha, essa é uma pergunta muito difícil, estamos muito frustrados de termos lançado o CD e não termos feito nenhum show até agora, mas é o que é, temos que preservar a nossa saúde e a das pessoas que amamos, portanto não há muito o que fazer. As coisas estão melhorando e espero que fiquem ainda melhores para que possamos fazer shows em breve, não vemos a hora de poder mostrar nossas novas músicas ao vivo!


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