Resenha por: Uillian Vargas
Burning Point é uma dessas bandas
que já é patrimônio cultural do heavy metal mundial. Power Metal melódico
versando sobre fantasia e dias de expiações, é dessa forma que a banda está na
ativa desde 1999, produzindo material de alta qualidade e cheio de identidade.
O grupo chega aos nossos ouvidos com o selo geográfico Finlandês, que sozinho
já sinaliza o alerta de sonoridade interessante. É estranhamente deliciosa essa relação entre as terras do norte e o
quanto essa região nos entrega bandas fantásticas, em todas vertentes e
subgêneros do metal.
Como é de praxe em muitas bandas
de metal, a Burning Point ao logo de seus mais de 20 anos, passou por várias
mudanças em sua formação. Chegou a ser quarteto, foi mudando conforme sua
construção e hoje culmina em um sexteto. Quer dizer, até o lançamento do Arsonist
of the Soul (2021), era um sexteto. Já que o vocalista, Luca Sturniolo,
anunciou a saída do grupo logo após o lançamento do disco. De fato, estar na
organização da Burning Point, não é um significado de monotonia. Enquanto essa
resenha é construída, o que nos resta é aguardar quais novidades a banda nos
guarda sobre o futuro vocal do grupo.
Enquanto isso, vamos voltar ao
dia 22 de outubro de 2021, data do lançamento do “Incendiador da alma”. Arsonist
of Soul nos chega com sonoridade clássica do bom e velho power metal
melódico Finlandês. Perfeito para quem já é fã de Stratovarius, Battle Beast e
Edguy (aliás, esse é o recado constante no “OBI” – lançamento nacional
pela Shinigami Records em parceria com a Valhalla Music). Ao escutar o disco
perceberão que não há novidade nas composições, trata-se da mais pura essência
do power metal melódico. A roda já existe e funciona muito bem, não há menor
necessidade de reinventá-la. Porém,
saiba, é um disco que está longe de soar
anacrônico. Na verdade, essa bolachinha é um carinho na alma dos amantes do
estilo. Possui todos os elementos básicos e necessários para fazer a alegria de
um headbanger, em alto e bom som.
O disco abre com “Blast in the Past”. Mais
de 3min da mais pura nostalgia. Construção rápida, riff pegajoso e um solo
característico que conduz o ritmo da sonoridade. Música que lembra em muito
outras bandas que são referência para o estilo, como Sonata Arctica e
Hammerfall. Exatamente com essa mesma pegada, o álbum discorre até a segunda
faixa, “Rules the Universe”, o que nos faz pensar que a banda realizou um play com
uma boa pitada de nostálgica, quem sabe até uma intenção de “volta as origens”,
mas também repleto de criatividade. Na segunda faixa Luca Sturniolo nos entrega
o ponto alto da performance vocal. De fato, ele era a pessoa certa para
vocalizar um disco rápido e pesado como este. Em seguida ritmo baixa e crava os
dois pés na essência do heavy metal. Perde um pouco de velocidade, mas capricha
no peso. Destaque para “Persona Non Grata”, momento para Tuomas Jaatinen
mostrar a experiência dos anos em atividade, por trás dos pratos e bumbos. Nessa
descida de velocidade e ganho de peso, encontra-se a faixa que batiza o disco.
Como uma música que tinha tudo para ser forte e reveladora, ela inicia
arrastada e soa um tanto datada. Tudo
muito certo, toda “reloginho”, mas como destaque tem um refrão pegajoso, nada
mais. “Arsonist of the Soul” deixa aquele sensação de que quase agiganta, mas
não chega decolar. Em compensação, a próxima composição mostra um crescimento
significante, principalmente em termos de melodia e harmonia sonora. Volta de
construção mais rápida e enérgica. Arrisco que o forte da Burning Point é esse
tipo de composição. Apostem na velocidade e energia que só têm a ganhar, se
percebe muito mais riquezas nesse aspecto! A prova do que está escrito antes? Escute
a “Running in the Darkness” e só te restará concordar. Som enérgico, vocal
forte e marcante, riff cheio e grudento que consolida com um solo majestoso.
Sem dúvida nenhuma, essa deveria ser a música a nomear o trabalho. Parte disso,
se dá em razão da letra, que reserva uma parcela da força na sonoridade da música:
“Running in the
darkness / Will we never see the light?
Is it our destiny to
stumbling in the dark? / Fighting with the shadows
Desperate to survive
/ Is the future already staged?”
Tradução:
“Correndo na escuridão / Será que nunca veremos a luz?
Será nosso destino tropeçar na escuridão? / Lutar com as sombras
Desesperado para sobreviver / O
futuro já está encenado?”
Desse ponto em diante, a energia se
mantém crescente e resguarda uma cadência contagiante que torna a audição muito
coesa. “Off the Radar” segura muito bem o tranco numa mescla de velocidade e
peso. Então vem outro ponto interessante: “Fire with Fire”, forte e harmoniosa
remetendo aos clássicos do heavy metal. Percebem-se elementos primários do
estilo, muito bem organizados na
execução do som. Salvo alguns clichês (e até aí tudo bem) o álbum é uma
excelente experiência sonora. Muito digna da fama de sua terra natal, Bunrning
Point nos entrega um play que não envergonha em nada. Ao contrário, é motivo de
orgulho para a carreira da banda e para os que vieram antes de sua obra. O
disco que nos recebe cheio de energia com a “Blast in the Past”, se despede em
uma piscina de sentimento chamada “Eternal Life”. É praticamente impossível não
bater cabeça com essa faixa. “Eternal Life” vai te fazer lembrar de Blind
Guardian, Angra e tantas outras grandes bandas que já trilharam esse mesmo
caminho anteriormente. É uma excelente maneira de se despedir. A esse ponto da audição,
até mesmo os clichês serão muito bem-vindos. O “Arsonist of the Soul” é o oitavo full-length da Burning Point. Maduro,
cheio de experiência, mas também desafiador, um lançamento que se mostra muito
sólido e, como dito antes, cheio de características sonoras. Bom, agora que
você já chegou até aqui, é hora de colocar o play para rodar e tirar a prova
real desses mais de 49 minutos de muitas sonzeras.

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