Warshipper: [...]o nome do último álbum (do Bywar), foi o primeiro nome do WARSHIPPER...

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Renan Roveran (guitarra/vocal)


O Warshipper nasceu das cinzas do Bywar. A ideia de música extrema segue, mas em outro direcionamento, voltado para o Death Metal. Conte-nos sobre este processo de mudança.

Salve Renato e Heavy And Hell. Fantástico poder bater este papo com vocês. Muito obrigado pelo convite. Cara, na real o WARSHIPPER começou seus primeiros passos um pouco antes de o Bywar encerrar as atividades.

Tem um fato curioso, inclusive: o nome do último álbum (do Bywar), “ABDUCTION”, foi o primeiro nome do então projeto que viria a ser o WARSHIPPER. Porém, esta ideia foi “engavetada” temporariamente e eu utilizei o título e algumas composições no quarto álbum da minha antiga banda. Retomamos a ideia que se tornou o WARSHIPPER durante a turnê deste álbum do Bywar que pouco tempo depois encerrou as atividades.

Foi então que meu foco e dedicação se voltaram totalmente ao WS. A ideia de ter uma outra banda era poder explorar diferentes musicalidades e experimentar possibilidades mais abrangentes nas composições, com amigos músicos com os quais eu convivo há muito tempo.


É impossível falar de vocês e não mencionar o excelente “Barren...” (20). Um álbum fora da curva e muito cultuado entre os fãs de Death Metal. Uma obra podemos dizer assim. Como foi o processo de composição?

Poxa Renato! Antes de mais nada agradeço muito o comentário e reconhecimento. O “Barren...” representa um marco muito importante na nossa história, por várias razões.

Posso afirmar, porém, que seu processo de composição foi bastante desafiador. Em meados de 2018 fechamos contrato com um selo, o qual acabou não realizando o lançamento do álbum no final das contas, mas além de firmarmos compromisso para um novo trabalho também fechamos o agendamento da nossa turnê na Europa.
Tudo ao mesmo tempo e em um momento onde nós da banda estávamos passando por muitas outras coisas relacionadas a estudo e trabalho fora do país, limitação de tempo para nos encontrarmos para ensaiar, problemas familiares e muitas outras coisas simultâneas.

Resumindo, tínhamos um ano para compor, gravar e nos preparar para a tour. Me lembro de ter escrito várias letras deste álbum durante meus voos de São Paulo para Belo Horizonte, ou para fora do país, ou ter pensado em linhas de melodia e harmonia dentro do quarto do hotel, “cantando com a boca”. Foi uma loucura.

Quando nos reuníamos, juntávamos todas as ideias e decidíamos se íamos ensaiar as músicas novas ou o setlist para os shows (risos). Tem música no álbum que foi finalizada quando já estávamos dentro do estúdio, gravando.

Por outro lado, aproveitei riffs e ideias que eu já possuía desde os anos 90 e começo de 2000, misturando com material novo. Claro que nossa experiência e entrosamento de anos de amizade, convivência e banda, facilita bastante estas coisas. Acho que foi uma experiência interessante e intensa como um todo, e o resultado foi fantástico.



Mesmo tendo o caos pandêmico em sua época de lançamento “Barren...” trouxe ótimo destaque a banda. Porém, lidar com uma pandemia e com um álbum tão expressivo, penso que não foi nada fácil em termos de perdas de shows e divulgações, correto?

Acho que o mais difícil de tudo para nós, no tocante ao disco em si, foi exatamente isso. Não poder tocar para divulgar, sendo que havíamos retornado de uma muito bem-sucedida turnê na gringa e estávamos sedentos por palco. Claro que estávamos em meio a uma pandemia, pessoas adoecendo e morrendo, e não poder tocar se torna um “detalhe” diante de tudo isso. Mas é impossível não reconhecer que nos afetou muito.

Estávamos com tudo pronto: álbum, vídeo clipes, datas de shows (turnê, show com Deicide, etc), assinamos com a Heavy Metal Rock, muita vontade de tocar e tudo indicava que seria um momento muito bom para a banda. Em questão de dias tudo mudou. Foi em Março/2020 e... a Pandemia chegou no Brasil. Precisávamos decidir o que fazer. Esperar para entender como seriam as coisas ou lançar o álbum e material visual que tínhamos.

Optamos por lançar tudo, o que foi uma boa decisão. Mesmo sem a possibilidade de shows, trabalhamos muito. Várias lives, entrevistas e um retorno fantástico da crítica especializada e dos fãs para com nosso terceiro álbum. O contexto em si da Pandemia, obviamente foi caótico e muito pesado. Triste. Mas conseguimos ganhar maior visibilidade tendo trabalhado duro durante este momento.



Mas 2022 também marcou o lançamento da compilação “Past Essentials”. Trazendo na integra seus dois primeiros álbuns: “Worshipper Of Doom” (15) e “Black Sun” (18). Mostrando uma alinha atemporal de evolução e uma usina de riffs moldadas que se completariam em “Barren...”. Qual a importância desta coletânea para o Warshipper?

Grande importância. Sem dúvida. Estávamos ainda colhendo os frutos do nosso trabalho e lançamento do “Barren...”.

Nos vimos forçados a buscar uma alternativa para nossos ensaios durante a pandemia. Foi quando montamos nosso próprio estúdio para ensaio, composições e algumas produções. Com isso pudemos voltar a nos encontrar e ter muito contato, e desta vez como nunca antes. Isto aliado ao fato de que os dois primeiros álbuns estavam esgotados, nos motivou a pensar em um trabalho intermediário ao próximo álbum.

Nossa assessoria, Som do Darma, em conjunto com nosso selo (HMR) nos ajudou com a melhor estratégia e chegamos à ideia do formato de um CD duplo, com bônus. Neste ínterim, já estávamos preparando nosso quarto álbum.



Renan, te pergunto isso como fã e deixando a imparcialidade de lado. Existe a possibilidade de uma volta do Bywar?

Desde que nós todos nos aproximamos novamente, esse papo surgiu algumas vezes. Fizemos até uma nova versão para o clássico “Thrashers Return” que está disponível nos streamings e tem um clipe no youtube.  Foi muito foda. Todos nós 5 juntos. Eu adoro os caras e o Bywar marcou muito minha vida de headbanger.

Apesar disso, entendo que todos estão com foco muito grande em suas bandas. Adriano e Victor com o Deathgeist, Hélio e Enrico com o Warbound e eu com o WARSHIPPER, claro. E como todos sabem, manter uma banda na ativa no nosso underground é muito trabalhoso e exige muita energia, tempo e outros recursos. Por isso, a ideia nunca fluiu de fato.

Porém, já disse isso algumas vezes para os “Dudes”: contem comigo sempre para mais reuniões e o que for possível. Da mesma forma que eu adoro ver bandas das quais sou fã retornando e fazendo reuniões, eu acho que seria demais ter uma reunião do Bywar.

Nunca tive a oportunidade de conversar com você sobre, mas em minha humilde opinião “Abduction” do Bywar é um dos melhores discos de Thrash que já escutei na vida!

Cara... modéstia à parte, para mim também. Tenho muito orgulho deste trabalho e é um de meus discos favoritos do gênero também. Fico muito contente e honrado por saber disto 😉


Voltando ao presente, um single monstruoso do que será o novo álbum do Warshipper já está rodando o mundo. Soa impressionante e voraz, o que podemos esperar deste 4° trabalho?

A história toda por trás deste álbum, o “Essential Morphine”, que deverá ser lançado ainda neste primeiro semestre de 2023, é muito louca.

Tudo começou com uma ideia de fazer a releitura de um som do Bywar e do Zoltar. Esta segunda é a lendária banda de Death Metal dos anos 90 da qual nosso baixista Rodolfo fez parte. Somos fãs de ambas e elas fizeram parte de nossa história, então decidimos homenageá-las. Escolhemos as faixas “The Twin of Icon” (Bywar) e “The Night of the Unholy Archangel” (Zoltar), que inclusive foram lançadas como single no ano passado e estão disponíveis em todos nossos canais.

Depois de começarmos a toca-las como se fossem novas composições, nos inspiramos e começamos a compor mais músicas. Porém, neste período tivemos nossa primeira mudança na formação depois de mais de uma década juntos. Nosso irmão e guitarrista Rafael decidiu sair da banda para focar em outros projetos de sua vida pessoal, necessários naquele período. Com isso convidamos o talentoso Theo Queiroz, amigo e músico local, para assumir o posto. O ponto é que sabíamos que o Theo toca (e muito bem) baixo e bateria. Não fazíamos ideia se ele tocava guitarra.

Ele topou e fomos gratamente surpreendidos com tamanha destreza que ele possuía neste instrumento também. O cara é um alienígena (risos). Aliás, durante nosso processo criativo juntos descobrimos que o Theo também domina teclado, violão, fretless bass e até saxofone. Usamos todos estes “skills” dele nas músicas novas.

Compusemos mais 2 músicas, com esta formação e gravamos as quatro faixas ainda em 2021, com a ideia de lançar um EP. Uma destas faixas foi lançada com um vídeo clipe. É a “Morphine”. Também disponível em nossos canais. Super brisada e meio prog e experimental. O fato é que esse processo todo levou quase um ano e com isso fomos surpreendidos com a necessidade de o Roger, nosso então baterista, ter que passar muito tempo fora do país com outras atividades.

Mais uma vez, grande dilema para o WARHIPPER: um EP gravado, os shows voltando e várias datas marcadas. O que iríamos fazer?

Foi então que o Rafael depois de um ano fora da banda decidiu retornar para a guitarra e o Theo assumiu as baquetas (rsrsrs). Depois disso, compusemos mais 4 músicas com a nova formação e optamos por tornar o que seria um EP em um full lenght. Nosso quarto álbum. “Essential Morphine”.

Existe alguma pressão para superar “Barren...”?

O “Barren...” nos rendeu um resultado fantástico. Elevou a visibilidade e expressividade da banda. Foi premiado diversas vezes desde seu lançamento. E o mais legal de tudo foi ter escancarado as portas do experimentalismo em nossas composições.

Algo que ocorreu em leves pitadas nos álbuns precedentes. Tudo isso serviu como ingrediente para o “Essential Morphine”. Além do fato de termos tido tempo para compor. Em nosso estúdio, em meio ainda à pandemia que querendo ou não, com tanta coisa pesada rolando, deu força para nosso processo criativo. Nós todos participamos mais de cada etapa do processo, não ficando tanta carga somente para mim nas composições. Todos se envolveram mais. Escrevemos letra todos juntos.

Compusemos cada música por um caminho diferente. Nosso entrosamento fica a cada dia maior e isso enriquece muito a obra. Não nos sentimos pressionados de forma alguma, porém, posso afirmar que o novo álbum é o nosso melhor trabalho até então.

PS: “Essential Morphine” sequer foi lançado e já estamos compondo coisa nova. Inspiração com força total.

Antes de mais nada, agradeço imensamente a atenção e queria que você nos falasse sobre o 2023 do Warshipper e em volta de todos os lançamentos que você participou quais os dois que você elencaria como divisor de aguas?

Eu que agradeço mais uma vez o convite para este agradabilíssimo bate-papo (risos). Valeu mesmo.

Este ano de 2023 será um ano muito bom para nós. Vamos começar voltando aos palcos em um evento muito foda com a banda finlandesa Swallow the Sun em São Paulo (21/02/2023). Estamos fechando outras importantes datas para este ano também pelo país. Queremos muito tocar em todos os cantos, interagir com a galera, dividir palco com bandas de amigos e nossa atual formação está matadora! (risos)
Fora o álbum novo que está prestes a ser lançado, vídeo clipes, planos para novas turnês e: COMPOR! (risos).

Eu tenho um carinho muito especial por cada trabalho do qual fiz parte, não somente com o Bywar e Warshipper, mas também de outros projetos dos quais fiz parte como guitarrista, vocalista ou compositor.

É muito difícil estabelecer um ranking para isso, mas desconsiderando neste momento o vindouro “Essential Morphine” que ainda não “saiu do forno” e já é meu favorito, eu elencaria o “Abduction” (Bywar) por se tratar de um momento de enorme inspiração pela qual eu estava passando e me dediquei muito para viabilizá-lo na época e o “Barren...” (Warshipper) o qual exigiu igual dedicação e empenho, mas além disso marca um grande nível de maturidade meu como compositor, em diversos aspectos, tal como experimentalismo, que foi o que basicamente me estimulou a formar a banda, além de desenvolver formas mais efetivas de absorver elementos e arranjos dos demais músicos para engrandecer ainda mais cada composição. Habilidade essa que cada vez mais venho explorando e adorando. Tipo uma esponja de criatividade.

Deixo aqui um grande abraço para todos e fiquem ligados nas novidades que estão por vir. Entrem em contato conosco pelas mídias sociais. Adoramos interagir com a galera.
Nos vemos por ai BANGERS!!!

 

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