Entrevista – Suck This Punch: Estamos em uma era que as inteligências artificiais estão dominando a arte. Precisamos inovar e trazer uma ideia única para os fãs

Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Tadeu Bon Scott (vocal/baixo)


“Fire, Cold and Steel” nasceu em 2015 e apresentou ao mundo o Suck This Punch. Com uma sonoridade Rock N’Roll, mas com um pé no Thrash Metal também. Algo bem inusitado. Como surgiu essa ideia?

Tadeu Bon Scott - Primeiramente obrigado pela entrevista. O mais interessante dessa pergunta é que na época não estávamos imaginando em criar o “Fire, Cold and Steel”, nem pensando em um tema específico para trabalhar, ou até mesmo em ter uma banda (risos).

Um belo dia recebi uma ligação de um cara chamado Marcos Nock, ex-integrante e dono do Nock Studio Alive onde foi produzido nossos 2 álbuns e nesta ligação recebi o convite de colocar minhas letras em alguns riffs que ele tinha parado em estúdio. Então eu aceitei o pedido e assim que ouvi as músicas achei fantástico os arranjos, a pegada Rock'n'Roll, muito forte e direta, incrível.

Me levantei da cadeira do estúdio, entrei na cabine de gravação com uma de minhas letras nas mãos e comecei a cantar em cima de uma das gravações, e ali naquele momento surgia “BREAK” a faixa 01 do Debut. A aceitação foi mútua, e na sequencia estávamos gravando as outras 4 faixas. Montamos um quinteto, e desse quinteto acabamos criando mais 5 músicas, fechando assim o primeiro álbum, e dando start também ao lançamento da banda na cena e toda a estrada que está sendo trilhada.


 Em 2021 chegava o tão aguardado álbum novo – “The Evil On All Of Us” – mais pesado e consistente. Conte-nos do processo criativo do mesmo.

“The Evil On All Of Us” foi uma ideia totalmente diferente do primeiro álbum, eram outros músicos, outras cabeças pensando, e tudo fluiu muito bem. Houve mudanças importantes nesse álbum que trouxeram uma outra cara para banda, o que foi muito necessário. No primeiro momento foi pensado em lançar singles, por que achamos que iriamos ter um tempo muito grande para voltar a compor, porém notamos que o Suck This Punch era uma banda de álbuns e que nesse caso não seria diferente.

A primeira faixa a ser gravada foi “Alone'”, e meses depois na sequencia tivemos “You are the best gun (against the system)”, “Shout it out'” e “Just follows'”. Foi aí que notamos que esse álbum deveria ser conceitual, as letras falavam sobre os males da humanidade, mas não apenas no contexto religioso, os males no contexto geral, problemas psicológicos, guerras, problemas sociais, política, problemas pessoais, enfim. Por isso “O mal em todos nós”.

Com isso a produção ficou mais rápida para ser feita, nós quatro tínhamos uma química muito boa para compor, e sempre prezamos na banda mentes abertas para possibilidades, sem colocar barreiras em nossas músicas. Com isso em um ano estávamos com o segundo álbum pronto e com um resultado extremamente satisfatório.

“The Evil on All of Us” trouxe um Suck This Punch mais pesado, com uma outra afinação, e um outro processo de composição no caso mais conceitual.

Foram cinco anos até chegarmos em “The Evil On All Of Us”. Existe algum motivo para o segundo álbum ter demorado tanto?

Durante esse tempo entre um álbum e outro a banda acabou passando por uma transição bem difícil, saídas de integrantes, entrada de novos integrantes, fora questões pessoais que acabaram prejudicando muito no desenvolvimento.

Principalmente por que tivemos algumas pessoas que não sabiam se ficar na banda era algo certo para elas. O Suck This Punch trabalha muito e as vezes esse tempo para banda não é o que as pessoas buscam de verdade, ensaios, gravações, shows, entrevistas, isso é um tempo que a pessoa deve depositar do qual muitas vezes ela não acaba esperando, ou então ela acredita em um processo mais calmo, porém acaba entendendo que não é bem assim.

Apesar das turbulências conseguimos sempre nos reinventar e produzir. E no momento estamos certos com nossos objetivos e prontos para novos desafios e possibilidades que surgirem.

O mais recente trabalho também apresenta a nova formação, agora um quarteto. Como está sendo este novo momento?

Eu acho que houve mudança enquanto estamos falando aqui (risos). Na verdade, agora somos um trio, após a pandemia nos vimos mais uma vez em um quadro difícil de músicos para a banda. E também vimos a necessidade de nos adaptar para viagens e para com o tempo de produção. Com isso tivemos a sorte e a imensa ajuda de nossa assessoria Som do Darma, para achar o Matt Pezzotti nosso atual baterista. E eu também acabei tirando a poeira do meu baixo e colocando ele na estrada comigo.

Em poucas semanas integramos uma química excelente e já estamos começando a pegar estrada para divulgar o “The Evil On All Of Us”, mesmo por que, por conta da pandemia não conseguimos ter o tempo necessário para apresentá-lo ao vivo. Já na sequência também fomos convidados a abrir para a grande banda Whiplash em SP, ao lado de excelentes bandas da cena, tenho certeza que agora estamos finalmente com nossa banda formada e pronta para novas produções.

Gostaria que comentassem sobre o lançamento do álbum pela grande Voice Music e sobre o Edital de Apoio à Produção Cultural de Araras que financiou o disco. Sempre é importante ressaltar os editais de apoio à Cultura que pouco valorizam o som pesado.

Realmente ter o apoio do selo da Voice em nosso álbum, e também a ajuda do edital de cultura da cidade de Araras foi um passo muito importante para nós. Passamos a ter uma perspectiva totalmente diferente em questão de produção, por acabar criando também mais liberdade e possibilidades para produzir. As bandas que buscam um trabalho serio e querem crescer devem ter esse alicerce, essa ajuda, e para nós foi um marco muito importante, pois nos ajudou a crescer como banda, como profissionais, e trouxe uma evolução ainda maior para nós no mercado musical.

Hoje em dia vivemos uma era digital que faz a sua música chegar longe, mas também tira o certo brilho dos materiais físicos. Como vocês enxergam essa questão?

Os materiais físicos já têm um público certo, fãs que gostam de ter uma coleção muito ampla. Nós vemos a ideia de produzir materiais diferentes para cada mídia. Devemos oferecer tipos de materiais para cada fã, por isso estudamos sempre como entregar esses tipos de materiais, seja ele em vídeo, em streaming ou físico.

Estamos em uma era em que as inteligências artificiais estão dominando a arte, e isso não é só na música, é nas pinturas, em textos, etc. Porém, precisamos nos inovar e trazer uma ideia única para os fãs, uma coisa que o faça gostar de ter aquele material em sua coleção, tipo você abrir pela primeira vez um disco do Led Zeppelin de 69, ou ter em sua coleção o God Save the Queen do Sex Pistols. Algo único que vai te trazer uma experiência além da internet, algo que você possa mostrar com orgulho para os amigos e guardar em sua coleção.

Finalizando, em termos de agenda e novidades, o que o Suck This Punch já tem planejado para 2023?

Conforme mencionei acima, o Suck This Punch tem agora uma perspectiva de ir para a estrada, estamos com uma banda mais sólida e segura, falando a mesma língua e com objetivos iguais. Então estamos já com a abertura do show do Whiplash em SP que será um ótimo passo para a gente, temos datas já em Limeira, em Curitiba, e estamos em negociação em outras cidades até o final desse ano.

Fora isso estamos estudando outros trabalhos no caso para lançamentos em breve traremos novidades.

Aproveitando aqui deixo nosso muito obrigado pela entrevista e pelo bate papo aqui na Heavy and Hell, que tenhamos mais imprensas especializadas falando sobre nossa música, muito obrigado.


Mais informações:

www.facebook.com/Suckthispunch

www.instagram.com/suckthispunch

https://www.youtube.com/@SUCKTHISPUNCH

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