Entrevista – Suck This Punch: Estamos em uma era que as inteligências artificiais estão dominando a arte. Precisamos inovar e trazer uma ideia única para os fãs
Em 2021 chegava o tão aguardado álbum novo – “The Evil On All Of Us” – mais pesado e consistente. Conte-nos do processo criativo do mesmo.
“The Evil On All Of
Us” foi uma ideia totalmente diferente do primeiro álbum, eram outros músicos,
outras cabeças pensando, e tudo fluiu muito bem. Houve mudanças importantes
nesse álbum que trouxeram uma outra cara para banda, o que foi muito
necessário. No primeiro momento foi pensado em lançar singles, por que achamos
que iriamos ter um tempo muito grande para voltar a compor, porém notamos que o
Suck This Punch era uma banda de álbuns e que nesse caso não seria diferente.
A primeira faixa a
ser gravada foi “Alone'”, e meses depois na sequencia tivemos “You are the best
gun (against the system)”, “Shout it out'” e “Just follows'”. Foi aí que
notamos que esse álbum deveria ser conceitual, as letras falavam sobre os males
da humanidade, mas não apenas no contexto religioso, os males no contexto
geral, problemas psicológicos, guerras, problemas sociais, política, problemas
pessoais, enfim. Por isso “O mal em todos nós”.
Com isso a produção
ficou mais rápida para ser feita, nós quatro tínhamos uma química muito boa
para compor, e sempre prezamos na banda mentes abertas para possibilidades, sem
colocar barreiras em nossas músicas. Com isso em um ano estávamos com o segundo
álbum pronto e com um resultado extremamente satisfatório.
“The Evil on All of
Us” trouxe um Suck This Punch mais pesado, com uma outra afinação, e um outro
processo de composição no caso mais conceitual.
Foram cinco anos até chegarmos em “The Evil On All Of Us”.
Existe algum motivo para o segundo álbum ter demorado tanto?
Durante esse tempo
entre um álbum e outro a banda acabou passando por uma transição bem difícil,
saídas de integrantes, entrada de novos integrantes, fora questões pessoais que
acabaram prejudicando muito no desenvolvimento.
Principalmente por
que tivemos algumas pessoas que não sabiam se ficar na banda era algo certo
para elas. O Suck This Punch trabalha muito e as vezes esse tempo para banda
não é o que as pessoas buscam de verdade, ensaios, gravações, shows,
entrevistas, isso é um tempo que a pessoa deve depositar do qual muitas vezes
ela não acaba esperando, ou então ela acredita em um processo mais calmo, porém
acaba entendendo que não é bem assim.
Apesar das
turbulências conseguimos sempre nos reinventar e produzir. E no momento estamos
certos com nossos objetivos e prontos para novos desafios e possibilidades que
surgirem.
O mais recente trabalho também apresenta a nova formação,
agora um quarteto. Como está sendo este novo momento?
Eu acho que houve
mudança enquanto estamos falando aqui (risos). Na verdade, agora somos um trio,
após a pandemia nos vimos mais uma vez em um quadro difícil de músicos para a
banda. E também vimos a necessidade de nos adaptar para viagens e para com o tempo
de produção. Com isso tivemos a sorte e a imensa ajuda de nossa assessoria Som
do Darma, para achar o Matt Pezzotti nosso atual baterista. E eu também acabei
tirando a poeira do meu baixo e colocando ele na estrada comigo.
Em poucas semanas
integramos uma química excelente e já estamos começando a pegar estrada para
divulgar o “The Evil On All Of Us”, mesmo por que, por conta da pandemia não
conseguimos ter o tempo necessário para apresentá-lo ao vivo. Já na sequência
também fomos convidados a abrir para a grande banda Whiplash em SP, ao lado de
excelentes bandas da cena, tenho certeza que agora estamos finalmente com nossa
banda formada e pronta para novas produções.
Gostaria que comentassem sobre o lançamento do álbum pela
grande Voice Music e sobre o Edital de Apoio à Produção Cultural de Araras que
financiou o disco. Sempre é importante ressaltar os editais de apoio à Cultura
que pouco valorizam o som pesado.
Realmente ter o
apoio do selo da Voice em nosso álbum, e também a ajuda do edital de cultura da
cidade de Araras foi um passo muito importante para nós. Passamos a ter uma
perspectiva totalmente diferente em questão de produção, por acabar criando
também mais liberdade e possibilidades para produzir. As bandas que buscam um
trabalho serio e querem crescer devem ter esse alicerce, essa ajuda, e para nós
foi um marco muito importante, pois nos ajudou a crescer como banda, como
profissionais, e trouxe uma evolução ainda maior para nós no mercado musical.
Hoje em dia vivemos uma era digital que faz a sua música
chegar longe, mas também tira o certo brilho dos materiais físicos. Como vocês
enxergam essa questão?
Os materiais
físicos já têm um público certo, fãs que gostam de ter uma coleção muito ampla.
Nós vemos a ideia de produzir materiais diferentes para cada mídia. Devemos
oferecer tipos de materiais para cada fã, por isso estudamos sempre como
entregar esses tipos de materiais, seja ele em vídeo, em streaming ou físico.
Estamos em uma era
em que as inteligências artificiais estão dominando a arte, e isso não é só na
música, é nas pinturas, em textos, etc. Porém, precisamos nos inovar e trazer
uma ideia única para os fãs, uma coisa que o faça gostar de ter aquele material
em sua coleção, tipo você abrir pela primeira vez um disco do Led Zeppelin de
69, ou ter em sua coleção o God Save the Queen do Sex Pistols. Algo único que
vai te trazer uma experiência além da internet, algo que você possa mostrar com
orgulho para os amigos e guardar em sua coleção.
Finalizando, em termos de agenda e novidades, o que o Suck
This Punch já tem planejado para 2023?
Conforme mencionei
acima, o Suck This Punch tem agora uma perspectiva de ir para a estrada,
estamos com uma banda mais sólida e segura, falando a mesma língua e com
objetivos iguais. Então estamos já com a abertura do show do Whiplash em SP que
será um ótimo passo para a gente, temos datas já em Limeira, em Curitiba, e
estamos em negociação em outras cidades até o final desse ano.
Fora isso estamos
estudando outros trabalhos no caso para lançamentos em breve traremos
novidades.
Aproveitando aqui
deixo nosso muito obrigado pela entrevista e pelo bate papo aqui na Heavy and
Hell, que tenhamos mais imprensas especializadas falando sobre nossa música,
muito obrigado.
Mais informações:
www.facebook.com/Suckthispunch


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