Resenha - Banda: Cavalera Conspiracy - Álbum: Morbid Visions (Re-recorded 2023)

Por: Nicolas Cardoso

Vou analisar esse lançamento como um álbum isolado, apesar de ser um remake, não vou compará-lo ao original. Sim, eu vou ignorar duas coisas, primeiramente, qualquer analogia musical, não vou apontar diferenças musicais no sentido de explicar os trechos diferentes em detalhes, e em segundo lugar, não vou usar jargões prontos e generalistas pra tentar te explicar como cada faixa soa. Aqui vou escolher três sons do álbum, onde quero te passar o sentimento em um relato sincero da importância desse material, evidenciando como faz TODO o sentido esse trampo vir de Max Cavalera (certo que ele que teve a ideia) e de Iggor Cavalera.

A faixa título Morbid Visions mostra na cara ao que veio, o negócio começa já muito cru, claro, essa é uma track sonoramente ambientada para parecer old school, coisa que vai se estender por quase todo o álbum. Eu esperava uma roupagem moderna com produção “atual” do ponto de vista estético, e fiquei surpreso. Esse tipo de ambientação “à moda antiga”, quando acontece de forma proposital, sempre soa um pouco cafona e fica meio brega, tipo “forçação” de barra. Isso aqui não necessariamente é um problema. Nessa questão há nicho consumidor desse tipo de produto, existem pessoas, inclusive eu, que adoram coisas “à moda antiga” de maneira forçada, soa trash (no sentido de podre) e fica ótimo, melhor que soar enlatado e com timbres de “plástico”.

Dessa forma, os reverbs e efeitos sonoros, como sobras das frequências dos pratos, (o que embola um pouco a mixagem) e o vocal com muita ambiência, que faz parecer que instrumentos e voz estão em lugares separados (conceitos e preocupações muito atuais da produção musical contemporânea), trazem um sentimento nostálgico e realmente oitentista. Ponto positivo para quem é doido e gosta de ver filme gore em fitas VHS reproduzidas em TV’s de tubo.

Nesse ponto de vista, a faixa Mayhem é um som de “pontas ásperas”, nas guitarras gostei de como o movimento dos dedos nas cordas transborda na música, afinal o riff aqui é tão rápido que, numa roupagem modernista, buscariam deixar cada palhetada e cada powerchord muito bem definido, mas de novo, o negócio embola de um jeito gostoso. Falando de embolar, a letra rápida com a pronúncia jogada de Max estão maravilhosas, seria errado não soar assim. Aqui é Max Cavalera puro, um riffman exímio enfurecido e disposto a acabar com o mundo em suas palhetadas.

Numa outra pegada, um som que quero destacar é a Troops Of Doom, cara eu esperava mais. Não gostei do timbre inicial, esperava algo mais agudo e ruim, mas aqui o que salva é a bateria. Os surdos estão maravilhosos e a caixa está um tiro de calibre .12, aqui foi a estrela do Iggor que salvou. Faltou uns grunhidos mais viscerais e podres do Max, uns riffs mais rápidos. Eu disse que não ia comparar com o original, então tá: apesar de ligeiramente diferente, em andamento especialmente, o som funcionou. Parece que o Satanás tá batendo na tua porta e te chamando pra chacina. É um dos sons com timbres de guitarras mais modernos do álbum e cara, eu já falei como o Iggor mandou bem aqui?

Sendo assim, torna-se importante destacar, aqui não estamos falando de moleques que nunca viveram os tempos das quais querem relembrar, esses que gravaram aos moldes de antigamente não são garotos de apartamento que tem nostalgia do que não eram nem nascidos para presenciar (tipo Greta Van Fleet, se tu não pegaste a cutucada). Max e Igor estavam lá, eram os cabeças do negócio original e agora buscam uma nova “velha” roupagem. É caça níquel? É só por grana? É pra incentivar colecionismo de fã? Sim, também, afinal esse é o ganha pão deles. Eu sinceramente preferia esses álbuns captados ao vivo pelos Cavalera, na íntegra, tocando os sons na ordem original, um atrás do outro.

Por fim, vou falar de Show Me The Wrath, afinal aqui queria ver se eles iriam “mostrar a raiva” mesmo. Sinceramente, vieram com tudo que havia faltado em Troops of Doom. Sonoridade oitentista, mas bem captada e executada com maestria. Adoro como as frequências agudas da voz do Max aqui são jogadas na tua orelha, enquanto o Iggor martela o “bate-estaca” como se não houvesse amanha. O Riff simples e raivoso soa como se estivessem ensaiando do teu lado.

 

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