Por: Renato Sanson
Vocês estão na ativa desde 2006. Moldando o som para o que podemos ouvir atualmente. A ideia sempre foi essa, com o Hard mais acessível?
Gus
D: Mano a banda tem 18 anos, e desde a sua formação o intuito sempre
foi fazer um Hard clássico sem perder a modernidade, eu (Gus D) sou muito
saudosista com as grandes bandas dos anos 80, e procuro, nas minhas
composições, trazer essa atmosfera. Confesso que me preocupo sim em como essa
música vai chegar ao público, mas na banda nós estamos sempre em parceria para
que a nossa música alcance o ouvinte da melhor maneira possível.
Fellipe Nava: Como
o meu Compadre Gus D disse, a gente sempre quis fazer o Hard Rock mais voltado
para a sonoridade clássica dos Anos 80, mas com muita influência do AOR também.
Acredito que essa influência do AOR torne o som mais acessível. Acredito que as
influências pessoais de cada um, que são refletidas nas músicas, cooperam para
esse movimento de tornar o Hard mais acessível.
“Highway To Paradise” impressiona
pelas estruturas serem muito solidas e trazerem composições muito empolgantes.
Como funciona o processo de composição?
Sir Arthur: No caso de “Sober up... When you die”, eu
acabei trabalhando nela sozinho e só mostrando para a banda quando ela estava 100%
pronta, então ela não seguiu tanto o roteiro tradicional da composição como as
outras. Ainda assim, a banda teve a oportunidade de trabalha-la junto com o
produtor Guilherme e algumas alterações aconteceram, que embora tenham sido
poucas, sem dúvida a deixaram bem melhor.
Gus D: Cara
“Highway To Paradise” nasceu de um groove que eu criei na minha cabeça,
levei para a bateria e depois comecei a cantarolar a melodia daquilo que eu
imaginava. Como não sei tocar nenhum instrumento harmônico, acaba que é sempre
um desafio pra banda entender as minhas ideias (kkkkkkkk), mas tem dado certo
até então. Nessa música ficam bem claras as influências que eu procurei trazer
nela, ali tem os metais do Extreme em “Get the Funk Out”, além de influências
de bandas com Mr. Big e Aerosmith. E essa foi a intenção que a música fosse
vibrante e dançante.
Fellipe Nava:
Basicamente o processo de composição das nossas músicas começa pelas melodias.
Alguém cria a melodia, traz para a banda e, logo em seguida, trabalhamos o
instrumental para desenvolver o restante da música. Existem músicas que
nasceram por um processo diverso, como “Hard Rock Life” que nasceu do riff
de guitarra da introdução, e “Sober up... When you die”, que já chegou pronta,
como disse o Sir Arthur.
Rod n Rock: As
ideias simplesmente aparecem na minha cabeça, por isso sempre estou com meu
celular, já esqueci MUITA melodia (risos). Gravo todas e as subo para o Google
Drive. Uma vez estava lendo um texto sobre uma edição especial de Jack Daniels
e veio o refrão de forma automática, como se fosse Elton John lendo as letras
de Bernie Taupin, só que era uma peça publicitária (hahahaha). Outras vezes a
ideia vem de estar sempre com um violão em mãos, sempre surge uma faísca!
Mas daí que vem o real problema:
beleza… eu tenho essa parte muito massa, e o resto? Daí eu entro em um processo
de loop, depuração, etc. Testando coisas até achar que está perfeito, inclusive
às vezes até alterando levemente a ideia original. Chega uma hora que tenho que
admitir que o trabalho está pronto, sempre existirá um traço a mais a ser
feito.
Outras vezes a ideia inicial vem de
alguém, geralmente o Gus, e então eu me coloco na posição de cliente daquela
música. Se eu colocar isso daqui, pensando como um aleatório amante da música,
eu escutaria? Daí entro no mesmo processo de exercitar ideias que componham
aquela parte. Assim nasceu a ponte de “Forbidden Fruit”. Pensei, a música é
fenomenal, mas está enjoativa, tem que dar uma quebrada. Daí saiu a parte do
‘love give me, give me, all your love give me give me’ que casou de forma
magistral com o fim do solo.
Em última instância algumas ideias vêm quando estou tocando com os caras do Amazing nos ensaios. Desta forma nasceram o coda (parte final) de “Hard Rock Life” e a parte melódica de “Highway To Paradise”.
As influências de Ratt, Bon Jovi
e Firehouse são latentes. Mas em nada tira o brilho próprio da banda. Como é
lidar com um estilo já definido e mesmo assim soar com personalidade?
Sir Arthur: Nesse aspecto, é preciso comentar que cada
membro tem diferentes personalidades, estilos de trabalho, influências e ideias
de como a banda poderia/deveria soar, inclusive o produtor do disco. Mas tudo
isso foi levado a um patamar em que todos deveriam ficar satisfeitos com o que
estava acontecendo. Muitas ideias foram discutidas e executadas até chegar no
ponto em que todos sentiram estar diante de algo especial. Talvez alguma música
não tenha ficado perfeitamente igual ao que criador tenha pensado inicialmente,
mas sem dúvida tudo ficou com a nossa personalidade. Parece clichê, já que
todos falam isso, mas a gente não estava tentando soar como ninguém,
simplesmente deixamos o processo nos levar onde parecia certo.
Fellipe Nava: É
desafiador. Ainda mais quando a gente para pra pensar que, até mesmo sem querer,
as nossas influências acabam refletindo nas músicas e aí as comparações se
tornam inevitáveis. Então fazer um som autoral, num estilo musical que nos
revelou tantos ícones, no qual existe uma fórmula, um padrão de sonoridade, é
bem desafiador você se aventurar e fazer suas próprias composições.
O lançamento do álbum teve uma
audição exclusiva em abril na cidade de São Paulo na Woodstock Discos. Porém
vocês são de Brasília. Por que não realizar na cidade natal?
Sir Arthur: Infelizmente, Brasília hoje não tem uma cena
Hard Rock proeminente. Acontece agora um movimento bem inicial de se tentar ter
uma cena de novo (já houve num passado remoto), mas ainda carece de mais
bandas, mais união, mais eventos e mais espaços... O foco dos eventos da cidade
é bem voltado para as cenas que são mais sólidas, Punk, Hardcore, Death,
Thrash, os modernos (Metalcore, Deathcore e demais) e o pessoal do Black Metal,
que tem sua cena a parte. Nesse contexto, fazer esse tipo de evento em Brasília
provavelmente não geraria interesse nem de bandas, nem de imprensa. Então
quando nossa produtora deu a ideia do evento em São Paulo, nos pareceu que
seria muito mais proveitoso do esforço que tivemos em fazer esse disco.
E sobre o evento na Woodstock,
como foi?
Sir Arthur: Uma experiência incrível. Eu nunca tinha ido
na Woodstock, então foi impressionante ver como o lugar possui energia que
transpira rock and roll. Você simplesmente sente toda a história do lugar só de
entrar, ver as fotos e de conversar com o Walcir, uma das pessoas mais
simpáticas que já andaram na terra. A forma respeitosa como ele tratou a gente,
uma banda desconhecida, feita por pessoas desconhecidas, vai ficar na memória.
Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas muito legais e que possuem um
respeito e um conhecimento enorme pelo rock and roll. As resenhas foram
maravilhosas... Não conheço muito da cena de São Paulo, mas já viajei para lá
uma centena de vezes, vi centenas de shows e é possível perceber a existência
de uma cena Hard Rock muito mais pujante que Brasília nesse momento, o que sem
dúvida nos anima. Todos foram extremamente acolhedores. Esperamos voltar para
um show em breve.
O Amazing já pensa em material
inédito ou é muito cedo ainda?
Fellipe Nava: Não.
Ainda é cedo para isso. O momento é de trabalhar o disco. Queremos divulgá-lo
bastante, construir uma base de fãs e buscar fazer o máximo de shows que
conseguirmos. Mas é relevante destacar que estamos sempre compondo.
Principalmente o Rod. Não muito raro ele chega no ensaio querendo mostrar algo
novo. Também temos outras composições que não entraram no disco, apesar de
serem músicas igualmente boas. Mas, como eu disse, o momento é de divulgar o
nosso atual trabalho.
Agradecemos o tempo cedido e
gostaria que mencionassem os melhores discos de Hard Rock em sua opinião.
Sir Arthur: Eu entrei na banda apenas para causar, já que
não sou do Hard Rock inicialmente (risos), então ouvi mais só os clássicos. Mas
citaria o “Fair Warning” do Van Halen, “Odyssey” do Malmsteen, “Last Command”
do Wasp, “Slippery When Wet” do Bon Jovi e o primeiro do Kiss.
Fellipe Nava: Essa
é uma tarefa muito ingrata (hahaha). Bem, “Slip of The Tongue” do Whitesnake é
um disco perfeito, né? “Slippery When Wet” e “New Jersey” do Bon Jovi também
são discos fantásticos. Amo o “Double Eclipse” do Hardline. Impossível não
citar o “5150” do Van Halen e o “Escape” do Journey. Enfim, como eu disse: uma
tarefa ingrata. Se deixar eu passo o dia inteiro aqui citando um monte de coisa
boa (hahaha).
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