Entrevista - Maestrick: expectativas grandes com a participação no B.O.A

 Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Fabio Caldeira (vocal)


O Maestrick já inicia 2025 com tudo, com o lançamento do bombástico single “Lunar Vortex”. Tendo a participação do vocalista Roy Khan. Gostaria que comentassem a respeito desta composição e de como chegou o convite ao Roy.

Lunar Vortex a princípio tinha um direcionamento mais power metal no refrão, com dois bumbos e tudo mais. Mas o Heitor, nosso baterista, sugeriu que tentássemos uma abordagem mais moderna com outro tipo de groove. Temos uma regra de sempre testarmos as ideias, e assim a música ganhou outra roupagem, muito mais direta e profunda. Sobre o Roy, a interpretação vocal e a construção da melodia da voz já tinham muita influência do seu estilo. E como eu tinha trabalhado com ele no show do Edu Falaschi e ele gostou muito do Maestrick, nos convidou para tocar com o Conception em São Paulo. Assim, quando nosso manager, o Milton Mendonça, deu a ideia de trazermos participações de grandes artistas do Heavy Metal para o disco, o convite para cantar na Lunar Vortex foi simplesmente um movimento natural. Ele adorou a música, a abordagem moderna da produção. Tanto que aceitou participar também do videoclipe. Algo inédito, pois ele só participou dos clipes das bandas que fez parte. Ou seja, não poderíamos estar mais felizes. No final nos tornamos amigos e ele escolheu o Maestrick para ser a banda de apoio em sua estreia como artista solo no Tokyo Marine Hall em São Paulo, junto com o Edu Falaschi e orquestra, dia 05/07.   

O Single anterior “Upside Down” traz uma banda com influências mais clássicas e setentistas e uma abordagem lírica que nos faz refletir como é encarar a vida adulta e se permanecer em equilíbrio com a mesma. Como surgiu essa composição?

As composições surgem muitas vezes de uma brincadeira, de um assovio despretensioso. Upside Down foi assim. Começou com o refrão assoviado e seu desenvolvimento foi feito de acordo com a ideia de que ela seria a primeira música do disco e precisaria trazer uma visão metafórica e inocente do início da vida adulta, onde tudo está de cabeça para baixo. O riff foi inspirado nos acordes abertos do Jimmy Hendrix. Misturamos isso com um pouco da influência do Danny Elfman e do Tim Burton. Uma pitada de Gentle Giant com música de fanfarra, e é isso. Upside Down.

A musicalidade do Maestrick já rompeu muitas barreiras, sendo elogiada por grandes nomes do Heavy Metal mundial e até mesmo por diretores de cinema consagrados. Como vocês enxergam esse reconhecimento?

Com alegria, mas com os pés no chão. Temos ciência de que o que nos move é resultado de um trabalho coletivo. Então, por mais que elogios apontem que estamos em um bom caminho, a manutenção das pessoas e dos nossos valores é o nosso maior foco, para que o trem continue seguindo de forma profissional, amorosa e constante.

Além das composições diversificadas e com aquela pegada teatral, o material físico que embala os dois primeiros álbuns – “Unpuzzle” (12) e “Espresso Della Vita: Solare” (18) – trazem um capricho visual único e rico em detalhes. Qual a ideia criativa por traz dos conceitos?

Todas as ideias são e foram inspiradas por experiências que tivemos. Seja com livros, filmes, espetáculos ou o próprio dia a dia. Durante o processo de criação e pesquisa, assim que definimos o caminho e a orientação conceitual que cada disco terá, o material gráfico tem que se tornar uma extensão disso. Assim a experiência será mais completa.

Para o novo álbum “Espresso Della Vita: Lunare” também teremos ele em formato físico com todos esses enigmas?

Com certeza. É assim que a engrenagem do Maestrick funciona. Tudo precisa convergir para que a história seja contada da forma mais multissensorial possível. Ainda mais que o disco novo é o fechamento da história que começou no anterior. O alinhamento é vital.

Vocês estarão na edição do Bangers Open Air que acontece em maio deste ano. Qual a expectativa e quais surpresas estão preparando?

A expectativa é grande. Passearemos por músicas dos nossos dois discos anteriores sim, mas daremos foco ao repertório do Lunare.

Teremos “Espresso Della Vita: Lunare” antes da apresentação no B.O.A?

O disco sairá mundialmente, pela Frontiers Records, no dia 02/05, primeiro dia do Bangers. Então teremos a venda para quem quiser adquirir sua cópia.

Finalizando, gostaria de agradecer pelo tempo cedido e deixo uma pergunta ao Maestrick: qual frase definiria a banda?

Sou eu quem agradece as perguntas. Eu diria que: “Para ser universal, começa por pintar o teu quintal”. É uma adaptação de uma frase do Leon Tolstói que representa muito o que acreditamos.

 


Comentários