Resenha – Banda: Moonlight Haze – EP: Interstellar Madness

Por: Raquel De Avelar

Embora o Symphonic Metal já não tenha a mesma força da década passada e algumas das potências do gênero vêm explorando outras sonoridades mais experimentais ou alternativas, como o Nightwish e Within Temptation, ainda é possível encontrar pérolas subestimadas como o Moonlight Haze, por exemplo. Ao longo de 7 anos de existência e sem alteração em sua formação até agora, a banda vem amadurecendo em cada novo material.

Acompanho a Chiara Tricarico desde os tempos com o Temperance e a evolução em seus vocais e performances é notável, equilibrando a doçura do soprano com uma projeção mais assertiva e técnica.

Lançado apenas um ano após o álbum “Beyond”, O EP “Interstellar Madness” foi produzido por Sascha Paeth, que trabalhou com grandes nomes como Avantasia, Angra, Kamelot e Edguy. A mão do produtor alemão é sentida na clareza da mixagem: as orquestrações não "engolem" as guitarras, permitindo que o peso do Metal e o brilho das camadas sinfônicas coexistam organicamente.

Pelo título do EP você pode esperar por melodias cativantes que te convidam a viajar por galáxias distantes. Começando pelo single “Moonlight Legion”, a abertura é divertida, com uma mensagem dedicada aos fãs da banda. Mantendo o ritmo vibrante, a faixa seguinte é “Lost in Moonlight Symphonies”, com um excelente coral encorpando o refrão, que gruda na mente de imediato. Comparando com os primeiros álbuns, eu sinto que a banda tem investido um pouco mais no peso e mantido a velocidade.

A cadência diminuiu um pouco em “We are Fire”, porém a música possui um refrão mais épico que provavelmente será um dos pontos altos dos shows da banda quando reproduzida ao vivo. Sobre os vocais ásperos de Chiara: embora demonstrem versatilidade, soam um pouco deslocados, funcionando mais como um recurso estético contemporâneo do que como uma necessidade orgânica da composição.

A seguir, “Shine”, traz a assinatura mais power metal do grupo, com destaque para o técnico e melódico solo de guitarra no meio da música. Finalmente o ápice criativo desse trabalho, a faixa título “Interestellar Madness”, cantanda em inglês e italiano, talvez está seja a composição mais teatral da banda até agora, aqui o solo de guitarra te leva para uma jornada na imensidão espacial. A faixa de encerramento “Interstellar Madness: Finale” amarra bem o conceito, mas deixa um gosto de “quero mais”.

O ponto crítico do EP é, ironicamente, a sua duração. Com algumas com menos de 3 minutos, a banda flerta com uma estrutura mais TikTok/Radiofônica que às vezes impede o desenvolvimento das progressões épicas típicas do estilo. Com 21 minutos de duração total, o trabalho termina antes de estarmos completamente imersos no universo que eles criaram.

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