Por: Renato Sanson
Musico entrevistado: Fellipe Nava (guitarrista)
A formação do Amazing acaba de ganhar a tecladista Anna Gaertner. Como aconteceu o convite para ela integrar a banda e o que vocês sentiram que a presença dos teclados poderia acrescentar à identidade musical do Amazing?
Fellipe Nava - A entrada da Anna aconteceu em um contexto bem fora do comum (risos). Ela era tecladista de uma banda parceira nossa aqui de Brasília, a Diffen. Em um dia qualquer, o Gus, nosso baterista, conversava com o Jhonny, vocalista da Diffen, e em um determinado momento comentou que procurávamos um tecladista e que a gente gostava da Anna e do que ela fazia na Diffen. O que não sabíamos é que a Anna gostava muito do nosso trabalho. Resultado: o Jhonny comentou com a Anna sobre a conversa e passou o contato do Gus. Em poucas horas ela já fazia parte do Amazing. Sobre a presença dos teclados, o que podemos dizer é que agregou muito ao nosso show. Os nossos discos têm teclados, mas nunca havíamos levado essa sonoridade para o palco, já que sempre tocamos com a formação padrão: bateria, baixo, guitarras e vozes. Quando fizemos o primeiro show com a Anna, percebemos, logo de cara, que o teclado agrega muito ao som e ao show. Sem contar que a Anna é uma musicista fantástica e aos poucos tem colocado a cara dela nas músicas e isso tem feito toda a diferença.
O Amazing tem uma trajetória construída desde 2006 e uma relação muito forte entre seus integrantes. Como foi o processo de adaptação da Anna à dinâmica da banda e, principalmente, como ela tem contribuído para esse novo momento?
Fellipe Nava - A Anna se adaptou muito bem. Como já a conhecíamos por causa da Diffen, foi muito tranquilo esse processo e a nossa relação a cada momento que passa estreita ainda mais. Ela até aguenta o nosso senso de humor peculiar (risos). Agora, sobre a cooperação dela, posso dizer que tem sido uma ótima experiência. Como eu disse, ela, aos poucos, está colocando a cara dela nas músicas antigas, tem contribuído para o processo de composição das músicas do próximo disco e nos shows está cada vez mais se soltando e incorporando o nosso estilo de show.
Vocês já estão trabalhando na composição de um novo álbum. Depois de Highway To Paradise, existe uma preocupação em manter a essência do Amazing ou vocês estão pensando em explorar novas sonoridades e possibilidades?
Fellipe Nava - Sim, já estamos no processo de composição para o nosso próximo trabalho e, inicialmente, não pretendemos explorar novas sonoridades. Mas isso pode acontecer de uma forma natural, tendo em vista que cada um tem suas próprias influências, um jeito próprio de compor e, às vezes, acaba saindo algo diferente do que estamos acostumados a fazer. A prova de que isso acontece é a música “Sober Up... When you die” do Highway to Paradise. Ela é uma música totalmente diferente do que estávamos acostumados a fazer naquela época, mas o Sir Arthur (guitarrista) trouxe a música, com a pegada e a cara dele e a gente, de uma forma muito natural, a desenvolveu, gravou e hoje ela faz parte do nosso repertório.
A entrada de uma tecladista pode abrir muitas possibilidades dentro do Hard Rock, desde camadas mais melódicas até elementos mais próximos do AOR e do Hard Rock clássico. Podemos esperar uma presença mais marcante dos teclados nas novas músicas?
Fellipe Nava - Com certeza! Ter um teclado mais presente e imponente sempre esteve no nosso radar, desde 2006. Lembro-me de, lá no início de tudo, eu e o Gus com um teclado – supersimples – mexendo nas músicas que tínhamos e testando possibilidades. O fato de não termos, até então, um tecladista na banda nos impedia de dar o devido destaque aos teclados, já que para os shows não teríamos como fazer do mesmo jeito que estava no disco. Hoje com a Anna isso não apenas é possível como já uma realidade. Então, certamente, o teclado tenderá a vir mais forte e proeminente neste próximo trabalho.
Highway To Paradise marcou uma etapa muito importante para a banda, especialmente por ser o primeiro álbum completo e ter levado o Amazing a palcos importantes. Olhando para esse ciclo agora, o que vocês consideram que mais mudou na banda desde o lançamento do disco?
Fellipe Nava - Tivemos um amadurecimento das composições, de sonoridade e queremos algo no mesmo nível ou acima do Highway To Paradise. Melhoramos o nosso show e experiência de palco, nossa visão como banda e objetivos.
Recentemente vocês lançaram os vídeos de “Sober Up... When You Die” e “Sex Machine”. Por que escolheram justamente essas músicas para ganhar novos registros e o que esses lançamentos representam antes de vocês mergulharem definitivamente no próximo álbum?
Fellipe Nava - A ideia de lançar um clipe de “Sober Up... When You Die” existia desde sempre. A questão que mais pegou foi o alinhamento de várias questões para que pudéssemos fazê-lo. Ter a ideia de como seria o clipe, desenvolver essa ideia e ter um artista que pudesse materializar tudo que a gente pensasse. Isso só foi possível no final de 2025, por isso demoramos tanto para lançá-lo. Já “Sex Machine”, foi o registro ao vivo de um show que fizemos numa casa aqui de Brasília, em um show muito especial. Decidimos por ela porque “Sex Machine” é uma das músicas que o público mais curte, é onde temos mais interação e o show ganha outros contornos.
O Hard Rock continua tendo uma comunidade muito fiel no Brasil, mas também enfrenta os desafios de um mercado cada vez mais dominado pelo digital. Como vocês enxergam atualmente o espaço para uma banda autoral de Hard Rock no país e o que precisa ser feito para fortalecer ainda mais essa cena?
Fellipe Nava - Como um todo, a cena autoral é bem restrita no Brasil. Praticamente relegada ao underground, tendo em vista que as grandes casas e produtores preferem investir em bandas cover, que é o que movimenta os bares. Ser uma banda autoral e de Hard Rock é ainda mais desafiador porque, em que pese o público do estilo seja fiel, é um público menor e, aparentemente, um pouco mais fechado para conhecer coisas novas. Então pensamos que uma boa estratégia para atingir esse público é continuar investindo em shows melhores e, principalmente, viajar ao máximo para divulgar o nosso trabalho.
Para fechar: se vocês pudessem dar um spoiler sobre o próximo capítulo do Amazing, o que os fãs podem esperar? Um novo álbum mais pesado, mais melódico, mais ousado… e quais são os principais objetivos da banda para os próximos meses?
Fellipe Nava - O próximo álbum, provavelmente, virá numa pegada um pouco diferente do Highway to Paradise. Não apenas pela essência das novas composições, mas também pela forma de trabalho e da pegada do novo produtor. De qualquer forma ele, certamente, será fiel ao que mais prezamos quando pensamos em composição: foco nas melodias. E aqui vai uma questão pessoal: eu, Fellipe, particularmente, acredito que a música tem que emocionar, o que não é algo simples, mas é muito gratificante quando atinge o resultado, então acho que esse é o caminho. Os nossos planos para este próximo ciclo é buscar levar o nosso trabalho a um nível ainda melhor e levar ao público um show ainda mais divertido e cheio de novidades.
Highway To Paradise nas plataformas digitais:
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