Por: Ricardo Turin
Depois de décadas fincando seu nome no panteão do metal extremo, o Behemoth retorna com The Shit Ov God, um trabalho que mantém a essência blasfema e monumental da banda, mas que também evidencia um grupo confortável demais dentro da própria fórmula.
Produzido com aquele padrão cirúrgico que já virou marca registrada — guitarras densas, bateria orgânica porém esmagadora e vocais de Nergal cuspindo veneno com dicção quase ritualística — o álbum entrega exatamente o que o fã espera: riffs grandiosos, atmosferas litúrgicas invertidas e refrões pensados para ecoar em festivais gigantes.
O problema? A sensação de déjà vu.
Se em discos como The Satanist havia um senso de urgência quase espiritual (ou anti-espiritual), aqui a banda parece operar no piloto automático criativo. As músicas são boas, pesadas, bem construídas — mas raramente surpreendem. Falta aquele elemento de risco, aquela ruptura que transforma um álbum sólido em algo verdadeiramente memorável.
Ainda assim, seria injusto dizer que o trabalho é fraco. Pelo contrário: é um álbum forte dentro do blackened death metal moderno. Os arranjos são refinados, os coros funcionam bem ao vivo e a identidade sonora permanece intacta. O Behemoth continua sendo uma máquina de guerra sonora — apenas menos imprevisível do que já foi.
No fim das contas, The Shit Ov God não reinventa o trono, mas reafirma quem ainda o ocupa.

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