Por: Rafael Diones
O Cancer nunca foi banda de reinventar o Death Metal — e nem precisa. Em Inverted World, o trio britânico entrega exatamente aquilo que se espera: riffs diretos, andamento médio com pegada thrashizada, vocais rasgados sem frescura e uma produção limpa o suficiente para soar atual, mas sem perder o ranço old school.
O problema? Falta impacto.
O disco é correto, coeso e bem
executado, mas dificilmente deixa marca dentro de um estilo que vive de
brutalidade memorável. As guitarras cumprem seu papel, os solos aparecem
pontuais e a cozinha segura a pressão, porém quase nada salta como realmente
indispensável. É Death Metal funcional — pesado, competente e honesto — mas que
raramente ultrapassa a linha do “já ouvi isso antes”.
Não há experimentações, não há
risco. E talvez esse seja o ponto: Inverted World parece confortável demais
dentro da própria fórmula. Para fãs fiéis do Cancer, é mais um capítulo sólido
na discografia. Para quem busca algo que empurre o gênero para frente,
dificilmente será aqui que encontrará.
No fim das contas, é um álbum que
não compromete, mas também não surpreende. Direto, cru e eficiente — porém
longe de ser essencial dentro do Death Metal atual.

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