Por: Augusto Germano
Há discos que soam como tempestades. Outros, como ruínas. O novo trabalho do Ghost Bath não é nenhum dos dois: ele soa como um espelho quebrado.
Depois de anos orbitando o
depressive black metal com forte carga atmosférica, a banda norte-americana
retorna em 2025 com um álbum que não apenas aprofunda a dor estética que sempre
foi sua assinatura, mas também a reorganiza em camadas mais modernas, flertando
com o post-black metal e até com texturas que beiram o alternativo sombrio dos
anos 2000. O resultado é um disco menos etéreo e mais direto — mas não menos
angustiante.
Uma experiência faixa a faixa
O álbum abre com uma introdução
que evita explosões imediatas. Em vez disso, constrói tensão com guitarras em
delay e ambiências quase oníricas, preparando terreno para a primeira avalanche
emocional. Quando os blast beats entram, eles não soam como agressão gratuita —
soam como colapso inevitável.
As faixas seguintes alternam entre momentos de catarse e introspecção. O vocal rasgado continua sendo um dos grandes trunfos da banda: não é apenas um grito — é um desespero prolongado, quase físico. Diferente de lançamentos anteriores, aqui há uma presença maior de melodias mais definidas, com riffs que grudam na mente sem perder a frieza característica do estilo.
A reta final entrega as
composições mais expansivas. Há mais espaço, mais respiro. Mas é um respiro
gelado. A produção, mais limpa do que nos primeiros trabalhos da banda,
evidencia cada camada instrumental, reforçando a sensação de que o Ghost Bath
está menos interessado em soar “nebuloso” e mais em ser cirurgicamente
melancólico.
Evolução ou ruptura?
Comparado aos registros
anteriores, este novo álbum mostra uma banda menos presa ao rótulo de
depressive black metal puro. Ainda há dor — e muita —, mas ela agora divide
espaço com uma construção mais sofisticada de atmosfera. Não é um disco feito
para chocar; é feito para corroer lentamente.
Alguns puristas podem sentir
falta do caos mais cru do passado. Por outro lado, quem acompanha a trajetória
do grupo perceberá maturidade composicional e uma busca por identidade além do
nicho.

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