Por: Ricardo Turin
No novo trabalho, o grupo mostra
que ainda sabe como equilibrar brutalidade, melodia e discurso afiado. O álbum
soa como uma síntese madura de todas as fases da banda: a agressividade crua
dos primórdios, a veia groove marcante dos anos 2000 e a carga emocional que se
tornou marca registrada nas composições mais recentes.
Peso moderno com alma old school
Logo nas primeiras faixas, fica
claro que o Machine Head não está interessado em repetir fórmulas de maneira
preguiçosa. Os riffs vêm densos, com afinação baixa e timbres encorpados, mas
há um cuidado especial na construção das músicas. As estruturas alternam
momentos quase claustrofóbicos com explosões catárticas que convidam ao
headbanging imediato.
A bateria surge precisa e
agressiva, sustentando levadas que transitam entre o groove cadenciado e
ataques quase thrash. O baixo não fica soterrado — pelo contrário, ajuda a
criar uma base pulsante que reforça o peso coletivo.
Robb Flynn: entrega emocional e agressiva
Vocalmente, Robb Flynn entrega
uma performance intensa. Seus gritos continuam cortantes, mas o destaque está
nas passagens melódicas — mais controladas, porém carregadas de emoção. As
letras abordam temas como frustração social, conflitos internos e resistência
pessoal, mantendo o discurso direto que sempre caracterizou a banda.
Há um senso de urgência nas
composições. Não é apenas agressividade pela agressividade — existe propósito.
Cada refrão parece construído para ser berrado ao vivo, enquanto os trechos
mais atmosféricos dão profundidade ao conjunto.
Produção e identidade
A produção privilegia clareza sem
sacrificar peso. As guitarras soam afiadas, mas não artificiais; a bateria tem
impacto orgânico; e os vocais permanecem na linha de frente sem exageros de
estúdio. O resultado é um álbum moderno, mas longe da frieza excessiva que
muitas produções atuais apresentam.
O veredito
O novo álbum do Machine Head não
é apenas mais um capítulo na discografia da banda — é uma reafirmação. Mostra
um grupo que conhece sua história, entende suas virtudes e sabe como
utilizá-las sem cair na autoparódia.
Não é um trabalho experimental,
nem revolucionário. Mas é sólido, intenso e honesto. E, no universo do metal,
honestidade ainda é uma das armas mais poderosas.
Para quem acompanha a banda desde
os tempos mais brutais ou para quem chegou nas fases mais recentes, este
lançamento funciona como um lembrete: o Machine Head ainda tem muito fogo para
cuspir.
Se o inferno tem trilha sonora, o
Heavy And Hell acaba de encontrar mais um capítulo dela.

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