Resenha - Banda: Aske - Single: The Mask Of The Devil (2025)

 Por: Renato Sanson


A cena extrema brasileira segue provando que ainda tem muita lenha para queimar. No novo single “The Mask Of The Devil”, os paulistanos da Aske apresentam um trabalho que equilibra tradição e agressividade com personalidade própria — e ainda contam com a participação especial do lendário guitarrista Armando, da cultuada banda baiana Mystifier.

Desde os primeiros segundos, The Mask Of The Devil deixa claro que não se trata de um black metal polido ou moderno demais. A proposta é direta: riffs cortantes, bateria impiedosa e uma atmosfera sombria que remete à essência mais crua do estilo. Há um forte sentimento de culto e obscuridade na construção da música, algo que dialoga muito bem com a tradição do black metal sul-americano.

Os riffs carregam aquela sujeira proposital que fãs do gênero tanto apreciam, enquanto os vocais rasgados reforçam a sensação de ritual maligno que permeia toda a faixa. A participação de Armando adiciona um peso simbólico importante ao lançamento. Não apenas pelo nome histórico dentro do underground brasileiro, mas também pela identidade que sua guitarra traz — com linhas que evocam o espírito das primeiras fases do black metal nacional.

Mesmo sendo um single, a faixa mostra que o Aske sabe trabalhar dinâmica e atmosfera. Não é apenas velocidade e agressividade gratuita; há uma construção cuidadosa de clima, com momentos que soam quase cerimoniais antes de explodirem novamente em violência sonora.

“The Mask Of The Devil” surge como uma declaração clara: o Aske está alinhado com a velha guarda do black metal, mas sem parecer preso ao passado. A parceria com Armando funciona como um elo entre gerações da cena extrema brasileira — reforçando que o espírito do underground ainda pulsa forte nas sombras.

Para os seguidores mais devotos do black metal nacional, este single é mais uma prova de que a chama negra continua acesa no país.


Comentários