Por: Renato Sanson

Músico entrevistado: Luiz Chagas (vocal)
O conceito de
“espolhos” parece ir muito além do sentido literal. Como nasceu essa ideia e o
que ela representa para a banda?
Salve Heavy and Hell, tranquilos??
O release fala muito sobre enfrentamento, resistência e marcas deixadas pelas batalhas da vida. Quanto das experiências pessoais dos integrantes aparece nas composições?
Bah, tem muito do que nós vivemos cara, no nosso tempo
criativo, a gente troca muita ideia sobre as nossas inquietações, é muito do
que nós conversamos acabaram e acabam ainda virando letras para as músicas. Uma
das músicas se chama "Fragmented" e ela basicamente nasceu de uma
frustração minha em relação a "felicidade", e onde eu estava buscando
essa "felicidade".
A banda ressignifica a expressão “matar um leão por dia” através da música. Como vocês transformam essa pressão cotidiana em peso e intensidade sonora?
“Matar um leão por dia” virou clichê até você sentir o peso
real disso. A gente transforma essa pressão em som pegando tudo que sufoca,
rotina, cobrança, vazio, raiva e convertendo em riffs, breakdowns e
intensidade. A Spoils existe justamente nesse ponto: fazer o caos interno soar
tão pesado quanto ele realmente é.
Musicalmente, quais
são as principais influências que ajudam a construir a identidade da Spoils?
Em relação a sonoridade é difícil dizer. Cada integrante da
banda tem influências e ideias bem distintas, e eu acredito que é isso que trás
certa originalidade para o nosso trabalho. Mas a grosso modo, temos como
influência, Lamb of God, Sepultura, Slipknot, Korn e por ai vai, é complexo
nichar isso, costumo dizer que somos uma espécie de numetalcore, hahahaha
Existe uma preocupação em fazer com que o público se identifique emocionalmente com as letras? Como vocês enxergam essa conexão nos shows e lançamentos?
Completamente! Acredito que uma banda precisa falar algo que
vá além do som pesado. Sempre frisei isso nas reuniões com os guris, a gente
tem que fazer mais que um som pesado, tem que ser algo que ecoe e que faça sentido
pra galera, até por isso, nas próximas gravações, também vamos gravar algumas
músicas em português, justamente para que a mensagem fique mais clara e ajude o
público a se identificar com o que nós escrevemos.
Vocês citaram cerca de 10 músicas em processo de gravação. Como está sendo essa fase de desenvolvimento musical e artístico da banda?
Cara, na verdade são mais de 10 hahahaha. Entre músicas
prontas e guias são cerca de 15 músicas. Temos muito material para gravar.
Essas 10 são as que estamos apresentando nos shows e que já temos um
planejamento para elas. Cara em relação ao desenvolvimento musical e artístico,
o que acontece, nós ainda não temos uma receita, ou algo assim, que dita como
vai ser o nosso som, da mesma forma que no palco, estamos em constante
desenvolvimento. Desde nosso primeiro show, mal faz 6 meses. Então ainda
estamos conhecendo nosso público e isso também faz parte desse crescimento
artístico que mencionei. Vamos aprendendo como dialogar com o público, e vamos
sentindo nele a aceitação por música A ou B.
O EP After the War promete abordar os medos e incertezas que surgem após as batalhas pessoais. O que o público pode esperar conceitualmente e sonoramente desse trabalho?
Essa pergunta pegou firme ein? Hahahaha. Então, a música
principal do After the War, se chamará Rebuilt ou Reconstrução. Parte da ideia
de que precisamos quebrar as correntes ou amarras do passado que nos prendem,
queimar os medos e mentiras, aceitar nossos erros e seguir em frente. É uma
música com várias nuances, colorações e variações de andamento. Decidimos por
usar ela como carro chefe desse EP, pois a aceitação do público em cima dela
foi muito massa. Galera curtiu real o andamento e o modo com quem ela soou. É
uma música leve, mas ao mesmo tempo pesada, enfim, vocês vão ver, hahahaha.
Em um cenário onde muitas bandas buscam apenas agressividade sonora, a Spoils parece apostar também em mensagem e reflexão. Qual é o principal legado que vocês querem deixar através da música?
Nosso lema principal é: Depois da Guerra, vem a recompensa.
Por essa recompensa nos vivemos, existimos e nos movemos. E isso não tem a ver
com algo material. Mas o simples fato de abrirmos os nossos olhos pela manhã já
é uma recompensa. E é isso que queremos mostrar e ensinar ao público,
transformar nossas frustrações e medos, em fúria e coragem para enfrentar as
batalhas do dia a dia, sejam elas, o quão difíceis forem.
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